:: Segunda-feira, Novembro 10, 2008 ::


Ando bastante ocupado escrevendo uma peça de teatro. Chama-se No Quarto dos 30. Estou participando de uma seleção que irá filtrar alguns potenciais autores para serem aprimorados no decorrer de 2009. Meu grande sonho é ser roteirista. Gostaria muito de propor à Globo ou à Record um seriado no estilo de Two and a Half Man. Fernanda Young também é publicitária e conseguiu. Tudo a seu tempo.

Separei um trecho da peça:

Luana: Aliás, todos estamos solteiros?

Henry: Sou esperto demais para ser amado.

Alex: Meu último namoro durou 5 meses e 220 scraps.

Tadeu: Estou mais sozinho que filho de puta em dia das mães.

Luana: Ô, boys, a situação é grave! Tá usando agora o “pensamento positivo”. Deseja forte que o Universo traz!

Tadeu: Desejar? Acho que nem com chantagem ele traz...

Luana: Oras, mas também, chantagear o Universo com quê?

Tadeu: Algo de que ele vá sentir muita falta...

Henry: Se ele for vaidoso, roubamos os anéis de Saturno. Se ele tiver mau gosto, sumimos com a primeira-dama do Brasil.


:: . 3:39 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Novembro 04, 2008 ::

Vamos lá ao prometido.

Musical Hair (Coral Minaz)
9 nov. 19h
Teatro Pedro II

Pinocchio (The Broadway Musical)
15 nov. 16 h ou 20 h (não sei ainda)
Teatro Pedro II

Semana da Filosofia
Local: Nova Acrópole

Palestra "O Mito da Caverna"
17 nov. 19h

Artes Marcias Filosóficas (Aula Gratuita)
Nei Kung: A Arte do Poder Interno
21 nov. 21h30

Teatro
23/11 16h

É isso! Sei q muitos stalkers aparecem aqui, portanto, mesmo q não tenham coragem de marcar comigo, que ao menos prestigiem algum evento. Cultura nunca é demais, até para indecentes. Abraços.

:: . 12:18 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Outubro 20, 2008 ::

Minhas filosofias vãs não hão de morrer jamais.


:: . 5:02 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Outubro 08, 2008 ::


Minha visão da crise

Bem, segundo Lula, o tsunami lá será uma marolinha aqui. Confirmam especialistas. Dizem que, ao contrário do passado, qdo os países emergentes eram os primeiros a entrar na crise e os últimos a sair dela, agora somos nós quem poderemos determinar os rumos da economia global e até minimizar os efeitos da bomba. A tendência é que, com o desaquecimento do mercado externo, o investimento se volte para o mercado interno, uma vez que ainda dispomos de uma classe potencialmente consumista, em torno de 70 milhões de habitantes (uma futura classe média). Ainda bem que eu não exporto revisão, pq senão já tava todo ca-ga-do. E que pena não ter comprado dólares uns meses atrás.

:: . 4:41 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Setembro 11, 2008 ::

Estréio oficialmente como ator de teatro na próxima terça-feira. Concilio entre os intervalos da arte dramática o aprendizado de canto... lírico. Aprende-se lírico porque, aprendendo-o, tudo o mais se torna fácil. O mesmo calculava para as demais emoções humanas, cuja leitura dos corações complexos facilitaria a decomposição das cascas superficiais.

Acabo de ler em Machado que a obscuridade é a mais fria sepultura. Talvez por isso eu me reivente e vá cultivando sonhos que me parecem tão engraçados quanto promissores. Não tenho mais patrão, vivo a escrever, sou do teatro e logo mais barítono. Talvez me sobre pouco para o além-trinta. Imagino que adiante eu invente de cursar direito e dar ordem enfadonha e respeitosa ao meu destino. Sinto que posso tudo, de um jeito ainda mais crucial e definitivo que na aurora de um adolescente tolo.

Falando em adolescentes tolos, por que os de hoje se me parecem tão mais tolos que ontem? Tenho sempre a sensação de que hei de prolongar o viço de caráter, o frescor da existência, menos por um necessidade moral, e mais por um contigência clara exterior: os jovens atuais perderam-se no excesso de informação e não amedrontam mais ninguém, tampouco conquistam.

Há quanto tempo você não conhece alguém que lhe cause espanto e o faço dormir pensando naquelas andorinhas mágicas de uma personalidade que, se não é consenso absoluto entre a virtuose pública, ao menos tem a chave-mestra de um coração bandido?

:: . 1:56 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Setembro 02, 2008 ::

Há exatos 5 meses passei por uma cirurgia grande. Se digo que arrebentaram minha cara é menos para um efeito trágico que para refletir exatamente o que ocorreu. Ainda agora a recuperação não é total. Os movimentos dos lábios ainda são travados, como se eu tivesse sofrido um derrame. Alguns pontos de inchaço também são observados. A recuperação total, diz a literatura da área, pode demorar até 1 ano, e suspeito de que meu caso seja desses que prolongam a previsão máxima por algum tipo de preguiça biológica.

Fora isso, dou-me por satisfeito antecipado. A simetria agora é perfeita, tal grego que tivesse resculpido meu rosto em seu tempo de folga. É de admirar, entretanto, que a cirurgia não tenha sido recomendada por nenhuma razão estética, motivo que me livra da vaidade na moratória dos pecados.

Em suma, ninguém tem idéia do quanto sofri nos últimos meses e qual foi a sensação que tive do fundo do poço.

:: . 4:08 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Setembro 01, 2008 ::

Gosto de aforismos, de frases de efeito... Elas são presunçosas em seu fim e, a despeito da ironia que se pode tirar delas, têm no fundo sempre algo mui elegante a dizer. Esta minha saiu para o teatro:

Alertar um coração que ama em demasia é o mesmo que convencer o diabo de que a cruz do Senhor lhe cai bem nas orelhas.

Nem preciso dizer que logo depois o capeta aparece de brincos...

:: . 2:04 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Agosto 07, 2008 ::

Quando se tem tempo, corre-se o risco de tornar-se monocórdio, e eu não nego essa minha predisposição aparente que tem como nota solitária o amor e seus pertencentes. Até quando tento enveredar por guetos mais políticos, acabo encontrando por mim os signos de amor de pessoas.

Por que negar que tudo é plantado de amor?

Dias desses meti-me numa leitura inusitada, a saber, os hábitos de vida da gralha-azul. Tal ave costuma enterrar no solo pinhões com os quais pode alimentar-se em épocas de escassez. Medida preventida bastante lúcida, não fosse um percalço inusitado: ela tem péssima memória, e não raro, enterrando seu alimento, esquece onde o enterrou. Até aí, apenas mais uma vicissitude do reino animal, não fosse a beleza que salta disso -- e chegamos à dimensão grandiosa do amor: os pinhões enterrados, tais esquecidos, não se perdem jamais, pois a natureza tira deles a oportunidade de reflorestar a mata de araucárias, que crescem tais filhos não planejados, mas amados igualmente.

Isto é: O lapso de memória pode ser a sobrevida de uma floresta. Um esquecimento aqui é a vida em outro canto. Como disse Mario Benedetti, "memória é o esquecimento".

Perdê-la é amor.

:: . 8:52 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Julho 22, 2008 ::

As pontas

"Estou tentando juntar as duas pontas da vida." Foi esse o pensamento que me veio quando eu estava folheando no sebo alguns livros de filosofia moderna.

Agora o que viriam a ser as duas pontas da vida? O entendimento em mim parece claro e suficiente, mas o ato de dizê-lo arrebenta o nó dos fios. Foi desde cedo que percebi em mim a necessidade do conhecimento vulgar. Tanto que optei pela publicidade. Hoje entendo a escolha melhor que ontem. Esperavam de mim algo como filosofia, letras. Eu esperava de mim dissecar o mundo pelo centro, não pelas beiradas que talvez nunca dessem ao miolo. Um filósofo hoje parece mais deslocado que a novela das 6 da Globo, que brinca de época enquanto a criança domina o controle remoto.

Aprendi o fútil, a superfície, o ridículo. Mantive comigo, tal arsenal que me servisse de estalo em algum momento de encantamento corruptório, livros de Machado e Voltaire. A poesia de Pessoa foi o sopro nos momentos de consternação emocional. Não é raro que se espantem, ao entrarem no meu quarto, com o fato de verem amontoados livros de profundo pensamento e algumas edições da revista Caras.

Não sou alienado porque me alienei. Não me fecho em grupos restritos que cultivam hábitos bizarros porque incomuns. Conheço cada pedaço do chão, cada obscenidade, cada desejo de sucesso, não sou um metido a intelectual aprisionado no alto de sua torre de marfim.

Eu desci às cobras. E à cabeça dou-lhes nó. Se meu espírito é uma promessa, logo se confirmará. As pontas do banal e do erudito acabaram de se beijar.

:: . 9:52 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Julho 21, 2008 ::

Não pódi

A onda do bom-mocismo anda se alastrando. Se a lei seca me faz beber ainda mais e torcer por um policial notívago a me interceptar, outras observações da noite me fazem matutar sobre a atual crise dos pudores por que passa o país, não se restringindo só ao interior, mas atingindo a grande capital com o Psiu! e a bobagem de buscar pureza visual banindo os outdoors na ruas, quando a propaganda era um tanto quanto a quintessência da alma paulistana.

Não é só. A liberdade de expressão não raro está sendo defrontada pelas vestes de um bom gosto no mínimo questionável. Cigarro não pode. Bebida não pode. Brinquedo de criança não pode. Pensar, se possível, não pode, é melhor evitar que o façamos e que outros o façam. E as sentinelas dos bons costumes vivem e se reproduzem e, a cada cena mais erótica na novela, entopem as linhas de algum órgão fiscalizatório que cria um rol de baixaria para classificar os programas da TV. Hoje o bom pai de família zela por seus filhos enquanto trai suas esposas com o primeiro garoto de programa da sauna Lagoa.

"Este programa não é recomendável para menores de 14 anos por conter cenas de violência, sexo e metáforas."

Até as metáforas, coitadas. Nem dizem o cunho delas, só metáforas. Alguém mais percebe o ridículo? O carteiro de Neruda já não poderia dizer que "o céu está chorando", porque decerto denotariam da frase uma veia sexual que tem nas nuvens a grande catarse.

E esses filhos estão crescendo. Pegar na bunda não pode. Putaria não pode. Onde já se viu trepar no primeiro encontro? Houve um retrocesso por ter-se atingido um nível ousado de contravenção e obscenidade. Tivemos Sex and the City, tivemos Queer as Folk, agora voltemos à mocinha do casar-se virgem. Qual o problema? O mundo promíscuo é interessante entre seus couros, chicotes e o fuck me more. "Bareback now", gritava uma louca bêbada quando ainda se podia beber e provocar acidentes.

Dói, e eu não escreveria isto em mais nenhum lugar, mas antes uma morte escrota que uma vida estúpida.

:: . 2:47 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Julho 14, 2008 ::

Assim se quer

Por ocasião de uma história recente, quis rever como andavam alguns que se despediram de amigos e família para "estudar" teatro em algum confim mais distante. Por não tê-los visto nunca na TV, pude supor que de nada valeu a forçada encenação do teatro, que é senão o desejo de que, no tablado, um ser iluminado, e Deus queira global, os reconheça para a grande vitrine. Eles fingem amor pelo rapaz humilde para arrebatar o coração do milionário bem-intencionado.

Frustrados. Os dois mais gatunos hoje se perdem entregando panfletos de suas peças encenadas em algum beco que se quer esperança. Parecem sempre dispostos a dar mais um grito. Os amigos, que já não lhes esperam sucesso, também já não lhes desejam fracasso, o que contribui para um certo vacilo espiritual, pois somos melhores quando mal-amados. O tempo permitiu que a simpatia tomasse conta dos corações, e todos os sonhos foram carimbados e mandados para o céu. No fundo, entre os que ficaram, existe um quê de incômodo por saberem que entre os seus ninguém brilhou, nem aquele que ousou mais.

Ousar não é o bastante.

Quanto aos atores, acho um fim inseguro. Podem passar anos alimentados pelo sopro do "um dia acontece". Talvez ganhem uma ponta na novela e, tendo a cara aparecida, voltem orgulhosos do feito e se digam cumpridores da missão.

-- Havia muitos que nunca conseguiram nada e eu apareci na TV.

E serão abraçados ternamente, enquanto os outros ainda se arrumam para a próxima balada.


:: . 7:16 PM Comentários: ::

Às vezes é como se adivinhasse "a grande síntese". Suspeitar a alma humana não é o mesmo que predizê-la. Há um significado maior naquilo que não se disse. Frases desconexas parecem profundidade.

:: . 6:56 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Julho 10, 2008 ::

Sobre encontro e despedida

Se é que a noite virou dia, ou eu que ando enxergando luz em todos os turnos?

A vida parece resumida no encontro e na despedida.

Se é que a noite despede o dia, ou o dia que contrata a noite para a vigilância noturna?

Tudo de repente se enche.

Se basta, pronominalmente o bastante.

Se é que o dia ama a noite, ou a noite se fecha ao dia?

O talento desperta-se-me no peito. Todas as auroras são possíveis, todas as trevas, ordinárias.

Se é que o dia não é noite só por causa do calor?

Um dia calarão a noite com clarões ininterruptos.

Amar é possível enquanto todos dormem e nenhuma consciência é possível.

Amor não suporta pensar.

Como a noite não suporta o Sol.

E o Sol não faz sentido à noite, a não ser na suposição de que um dia, nunca noite, ele chega.

Dormimos porque sabemos encontrar o dia seguinte, ou passamos as noites em claro para ironizar o dia que não brilhará.

:: . 5:10 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Junho 24, 2008 ::

Elipse

Elipse. Alguns corações funcionam em forma de elipse. O dicionário vem a dizer que elipse é a supressão de algo subentendido. Alguns corações são elípticos. Batem à força de não bater um dia, aristotelicamente, metafisicamente, parou. Os corações batem porque ainda não alcançaram a perfeição. A perfeição é imóvel. A perfeição é cardíaca.

E na elipse cabem algumas metáforas. Dia desses li o escrito de uma mocinha que dizia sentir o coração bater como um sino. Chegou a dar nome às badaladas. Aliás, o mesmo nome a todas. Chamava-as Henrique. Não demorou para que se comparasse a uma catedral, badalando assim no peito com o arfar de pombos assustados. Um dia, Henrique passou e fez um gesto que ria dela e de suas badaladas, e a elipse engoliu o sino.

Ficou subentendido que amava, mas nunca mais badalou, senão para outro nome.


:: . 4:45 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Junho 17, 2008 ::

Depois de virar a alma ao avesso, entre tarja preta e cinema clássico, penso ter atingido a zona de equilíbrio existencial, que nos faculta a um temperamento de fato artístico.

Não acredito na arte como catarse.

A idade do bambi -- completo 24 anos amanhã -- leva-me a uma dimensão mais responsável quanto ao meu papel profissional. Pedi demissão de cargo público depois de ter vivido todas as lamúrias de um concurseiro desempregado. Ínterim durante o qual desenhei as bases de hoje. O cartão de apresentação usa o dourado para ampliar o cinismo que se vai fazendo minha intenção. Consultor de textos, concentrado no laptop, a madrugar a aurora tímida do dia enquanto desencaneta a tinta vermelha sobre originais que se vão ao lado. É assim que ganho meu troco polposo.

Escrever não é profissão em países tropicais. Mas consertar texto alheio é sim.

Caro revisor, preparador, editor.

Entre uma canetada e outra, continuo a especular sobre a vida, iluminando a política como centro basal. Não a política dos homens de Brasília, mas a política do homem comum, que vota pela política dos homens de lá. Fico a pensar que a tendência apolítica atual seja a postura mais política adotada. Pelo menos em países tropicais, onde é crime gastar-se com terno o tempo que se pode passar de sunga. Continue Mainard com seu histrionismo antiesquerdista e fajuto. Já nem me refiro a meus ex-compadres socialistas. Todos gordos fazendo o trigésimo ano em sociologia. Quando se sentirem preparados para a "revolução" por que tanto aguardavam, talvez não encontrem forças para sustentar o próprio diploma e prefiram pagar com discreto silêncio o contrato de um bom plano de saúde.

Sem carências, porque já se iniciam doentes.

Não sou escritor. Escritor é o que finjo ser, o que brinco de não pagar minhas contas. Escritor é meu lado impertinente de querer ser lido e apreciado, enquanto meus pensamentos não resenhados são o que de melhor eu tenho a esconder.

O mundo mudou. E não foi só o Kuat que percebeu isso.

Amor não sai de moda, mas inflaciona o mercado. Amar é ser homem, e não querer um outro à cama. Falar de amor é a ocupação que não rende senão boas músicas tristes e um apanhado de livros medíocres. É a sensação furtiva de jovens ricos e pobres, enquanto seus pais desiludidos vão aumentando a diferença social.

Rico ama pobre que fica rico de família pobre.

Amor não sai de moda, mas não é qualquer coisa dum desfile que se pode usar.

À margem de um negro ocupar a Casa Branca, depois de desancar a compreensiva chifruda loira e teatral, estamos à luz de uma nova época, igual a qualquer outra, quando então, neste país tropical de pouco verbo e muita astúcia, o torneiro-mecânico se prepara para deixar o Palácio do Planalto.

Aumentem logo os juros, pois a inflação não pode voltar. Nossos jovens devem seguir entoando o amor, o amor, o amor, como se a nação fosse apenas desculpa para cada dor individual.

:: . 4:25 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Março 17, 2008 ::

"A cada ano dou mais um pé atrás ao espelho. Encarar-se vai ficando sofrido, e é como o reflexo da alma que se nos vai distanciando."

"Queria conquistar o mundo, mas me contento com a minha esposa."

***

Acho que estou chegando ao temperamento ficcional adequado ao meu texto.

Um bando de personagens frustrados, à Tchékhov.

Cinismo dândi e homossexual by Wilde.

:: . 5:44 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008 ::

Estranhos aparecem para nos salvar.

***

Forever Young (Temperance)

Let's dance in style, lets dance for a while
Heaven can wait we're only watching the skies
Hoping for the best but expecting the worst
Are you going to drop the bomb or not?

Let us die young or let us live forever
We don't have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The music's for the sad men

Can you imagine when this race is won
Turn our golden faces into the sun
Praising our leaders we're getting in tune
The music's played by the mad men

Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever? Forever young

Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
why don't they stay young

It's so hard to get old without a cause
I don't want to perish like a fading horse
Youth's like diamonds in the sun
and diamonds are forever

So many adventures couldn't happen today
So many songs we forgot to play
So many dreams swinging out of the blue
We let them come true

Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever

Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever?


:: . 1:27 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008 ::

Algumas artes já nascem sabidas. Dedos longos indicam espiritualidade. Orelhas pontudas correspondem a ouvidos musicais.

Já corações grandes denunciam uma ligeira vocação para as engenharias insustentáveis.

***

Como nasce um personagem inesquecível?

:: . 1:19 AM Comentários: ::
:: Domingo, Fevereiro 03, 2008 ::

Decepção comigo mesmo por eu não ter agido conforme o figurino da decência e da elegância.

Orgulho de mim mesmo por eu não ter agido assim.

(Um sentimento é público. O outro, particular.)

***

"E a vida continua linda aqui dentro."

:: . 7:45 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Janeiro 29, 2008 ::

O fato é que a profundidade do espírito é mera suspeita e divagação, e que muita dor dita profunda, se dado o tempo certo e a atenção exata, desaparece como o nome na areia que o mar levou.

Estou feliz.

:: . 1:39 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Janeiro 25, 2008 ::

Estou indignado de uma maneira bastante profunda.

Só não expresso exteriormente para não causar rugas.

:: . 5:07 PM Comentários: ::
:: Domingo, Janeiro 13, 2008 ::

Diálogos ficcionais da mente de um escritor

-- O cinismo fica uma graça em você.
-- Pena que não posso dizer o mesmo deste seu cabelo.

-- Não que eu tenha medo da morte, mas prefiro não pensar nela.
-- Puxa, ela deve ficar muito triste com isso...

-- Por que as pessoas inventaram agora de se suicidar no shopping?
-- Decerto para o corpo não torrar no sol.

-- Você é muito ácido.
-- Vocé é muito básico. Hering de sábado não dá.

-- Estou com saudade do meu grande amor.
-- Em geral, pra matar a minha, só dou uma olhada para dentro da cueca.

:: . 5:41 PM Comentários: ::

Eu só preciso ter paciência para me construir.

Às vezes me esqueço no meio de outrem. Sou assim tão devotado que me vou diluindo em suspeita de ser alguém grande, para engrandecer o outro.

Mas amar é crescer junto.


:: . 1:09 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Dezembro 21, 2007 ::

A mocinha da academia

Não sei se já tentaram escrever sem inspiração. O espírito fica como que obrigado a respirar. A questão é: quer-se respirar para viver ou para livrar-se do tédio? Livrar-se do tédio é necessariamente viver ou um continuar inspirando-se vazio? De qualquer modo, não sou de grandes especulações existenciais. Digo sem o menor constrangimento que passo horas na internet lendo sobre a vida de Lindsay Lohan. Tenho um sei lá fascínio pela vida destituída de pensamento. Um deixar-se viver leve e burro.

Por isso faz seis anos que vou à academia. É possível contar quantas vezes cumprimentei alguém naquele lugar. A mocinha da recepção sempre me olha intrigada, às vezes ameaça um aceno, mas já percebeu que não sou de natureza lá muito cordial. Outras vezes se recusa mesmo a olhar, e é quando se torna mais interessante. Sou grato a essa sua alternância, porque isso me distrai. Confesso até certa irritação quando alguém se interpõe e ela, não se impondo a me ignorar, o acaba fazendo por completo. É miserável ser ignorado sem o pensamento, por mais que eu o não busque.

Não sei seu nome, por simples motivo de não atentar-lhe o crachá. Receio que, se assim o fizesse, ela tirasse disso uma distração minha e se pusesse a achar-me agradável ou supostamente esforçado nisso. Imagino-a arfando os peitos para facilitar-me a leitura. Não, não cometerei o descuido! Passarei como tantas vezes sem supor-lhe a existência, deixando-a com a suposição dos vermes. E não pense que o faço de cabeça baixa e gestos miúdos. Alinho a coluna e visualizo o horizonte, como qualquer ser não-pensante deste mundo.

Estou a vendo agora ao longe. Máquina distribuidora de sorrisos e informações. Já vai mudando a forma tão logo percebe minha aproximação. Vai desesperando alguns papéis, tomando notas desnecessárias, fingindo discar o telefone. Será como as outras tantas vezes em que ela ignora, atrapalhadamente, o ser que a despreza.

Catraca.

— O senhor tem algum problema com o cartão.

Senti a voz soando-me à nuca, um suspiro de vingança da classe operária.

— Como?
— O cartão...
— Resolva.

Não ouse um ponto de exclamação nesse meu verbo. O imperativo foi frio assim como vai o ponto nele. Final.

— Passa o cartão pra mim que eu vou estar checando...

E o não-pensamento tomou conta de mim. Era o vício estendendo-me a mão e dizendo “eu não sei, você também não sabe, mas nossas ignorâncias são todas resolvidas no sistema". O problema, de fato, fora resolvido. Entrei e fiquei sentado alguns minutos na cadeira do supino, movimentando os alteres no chão, enquanto repetia o nome de Marina, duas, três vezes. Na quarta me ative à obsessão, chamando-a ordinária, e algo no coração palpitou forte.

Eu amava a vida sem existência daquela mulher e queria muito humilhá-la por isso. E nisso encontrei a inspiração que me faculta a incapacidade de escrever.


:: . 12:08 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Dezembro 10, 2007 ::

Não gosto de pensar que amadureci em nada. Tenho a idéia de que as coisas maduras estão sempre para despencar.


:: . 5:51 AM Comentários: ::
:: Domingo, Dezembro 02, 2007 ::

Fica-me

O Sol já vai despencando no céu, e os raios como que ficam num esforço inútil de sustentar a luz do astro tombado. Assim morrem os últimos raios do dia: na aventura de estendê-lo, como se fossem cordas de aço erguendo uma bola quente e amarela.

Estou feliz. Timidamente feliz em mim. Sinto, no fundo, uma inadequação para a felicidade, e isso se junta com o gesto alegre que às vezes salta, e fica que a mistura se torna algo acanhado, como pedisse desculpa.

Eu pareço estar me despedindo eternamente. Nunca me admito nesse estado feliz sem um ímpeto que o questione bravamente. Assim como não me ajusto às criações do bem-viver humano. A degustação de um vinho, por exemplo, à mesa de um restaurante, parece-me uma afetação dos diabos, mas essa é uma opinião que só valeria se eu tivesse muito dinheiro e elegância. Agora sou apenas um inapto sem um bom corte de cabelo.

Gosto da poesia, mas também não gosto. A poesia das palavras bonitas não possui a grandiosidade da poesia sem verbo. Gosto de trancar um sorriso na lembrança, de guardar um olhar indecentemente romântico à luz da multidão. Um garimpeiro que diriam sem sorte, mas que percebe na água um sentido bruto e insubstituível. Coisas sem valor que humildemente retenho.

E com quantos posso dividir isso? Meus olhos se enchem tão facilmente quando penso, quando sinto a brecha. Não há ironia que resista ao toque da eternidade. Nós mesmos não lhe resistimos. Quantas vezes, porém, invadindo um coração, tivemos vontade de fingir que não sabemos como aconteceu? A ignorância salva. Eu bebo porque sóbrio não sou igual a ninguém. Bebendo eu me ajusto.

Bebendo eu não fico tentando adivinhar, nesse jogo da provocação dos sentimentos, qual é o exato momento em que alguém deixa de amar.

:: . 7:53 PM Comentários: ::
:: Domingo, Novembro 25, 2007 ::

Medo de tudo que é frágil porque sou o porto de tudo

Dorian diz:
só queria te mostrar q sou frágil...

Dorian diz:
q meus olhos são vidrados...

Dorian diz:
q eu sou um forte candidato a acabar na loucura...

Fe diz:
acha que eu não sei?

Dorian diz:
meu único desejo é ir espalhando um pouquinho da loucura por aí.

Dorian diz:
eu tenho algo em q as pessoas confiam... em q acabam se apegando...

Dorian diz:
é como sentissem q, ao final do mundo, teriam a certeza de me encontrar em algum porto

Fe diz:
eu sei

Dorian diz:
sentinela da escuridão

Dorian diz:
dando informações

Dorian diz:
sem pressa de ir ou ficar...

Dorian diz:
porque sou assim

Dorian diz:
não vou nem fico.

:: . 11:56 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Novembro 05, 2007 ::

Frases de efeito

Se eu me ligar demais a você, a decepção será a única coisa que pode me salvar.

Profundo?


:: . 9:12 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Outubro 30, 2007 ::

As duas

Ia descendo a Lafaiete quando um carro encostou. Desceram duas senhoras; uma era a motorista, a outra, mais velha, decerto sua mãe. Reencontrando-se na calçada após um breve contorno da primeira, que bateu os pés na rua como se o carro houvesse imundo, ambas se pegaram pelo braço e seguiram juntas até a porta do edifício Casablanca.

No trajeto, contudo, a senhora mais velha, por descuido, deixou cair não sei o que parecido com um terço. A queda foi tão infeliz que o objeto se desfacelou em vários, vindo a cair menos da metade, que já era senão a parte maior, bem junto ao meu pé.

A velha encarou-me como se me houvesse culpa. Tentei devolver-lhe o pedaço da fé, já reduzida a algumas esferas de pai-nossos e quase uma dúzia de ave-marias, mas a tal recusou-se a recebê-lo, gemendo alguma coisa interna que me desaprovava perante o céu.

A filha, ou talvez uma irmã mais nova, não sei, disfarçadamente fez para mim um aceno de cabeça com o qual fechou os olhos e dissimulou uma reprovação à atitude da companheira, que continuava a esbravejar, evitando assim qualquer defesa que eu pudesse emitir, que aliás seria inútil e desnecessária. As duas, ainda pregadas uma à outra, entraram no edifício, e digo que as vi pelo vitral aguardando o elevador, desaparecendo depois.

Examinando o terço, reparei nele a imagem de um senhor demoníaco entre faces desesperadas de bocas abrindo nas chamas. Comprovei a mesma figura distorcida nas outras esferas, e nas menores, e nas caídas no chão. Empalideci. Olhando para o alto, já no desespero alegre e cênico daqueles que supõem terem sido tocados pelo outro mundo, quis adivinhar em qual dos apartamentos estariam as velhas -- imaginei logo o mais alto --, e qual não foi minha surpresa ao me deparar com um ser soturno, de braços cruzados, que parecia tal estátua gótica a esconder asas de Ícaro, com as quais se lançaria da janela para um vôo negro e surdo.

Passado algum tempo, como se me pusesse a esperar pelas duas que entraram, vi saírem duas moças, uma mais que a outra, no mesmo gesto grudado de outrora, mas ainda assim quietas, quase sorrateiras, metendo-se apressadamente no carro que as levaria embora. Antes, porém, a menos jovem, mas ainda assim moça, sentindo-se observada, virou-se e fixou os olhos em mim. Uma gargalhada estridente fez-se ouvida ao longe e conta-se que, naquele instante, um vulto irreconhecível, despencado da janela alta, perfurou sombriamente o céu.

:: . 11:12 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Outubro 25, 2007 ::

Imbecil

Paro diante do teclado e fico a indagar o que ainda não teria sido dito ao mundo que eu pudesse dizê-lo assim agora. Fico como que constrangido pela falta do que dizer, e não raro recorro à metalinguagem, que é novidade comparada ao ato de falar de uma espinha no rosto enquanto a espreme.

Tornar-se imbecil é exercício que exige inteligência. Estar aqui entediado, olhando para as unhas, vezes deitando a cabeça no umbral, para evocar um espírito qualquer que se lhe apresente como amigo, é menos nobre que ter uma motivação retardada para a vida.

E eis que um motivo freqüente é o amor. Ama-se como desculpa para o tédio. Ou não se ama em absoluto, e o expediente trata então de espantar a todos com o propósito do desamor, pois até um coração de gelo tem por divertimento derreter-se enquanto se contradiz.

Ou deseja-se ser um asno a crescer na empresa, ou ter o próprio negócio para falir. A visão míope de uma formatura de analfabetos funcionais. A viagem dos sonhos para a puta-que-pariu. O fondue na casa-do-caralho. A cirurgia plástica no olho-do-cu. Motivos.

E todos se acham superiores a todos, intimamente, crendo que a vida, se é de fato medíocre, ao menos se disfarça melhor em alguns. Mas todos, sem distinção, sorriem para as fotos, pois o Photoshop existe e a felicidade é só um querer existir e acreditar debilmente, com todas as forças.

:: . 4:33 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Outubro 23, 2007 ::

Na aula de capoeira...

Eu para um amigo:

-- Por que estamos no escuro?
-- É para imitar o quilombo. Eles jogavam na escuridão...
-- Hum... E eles também tinham ar-condicionado?
-- ...

:: . 3:55 PM Comentários: ::
:: Domingo, Outubro 21, 2007 ::

Pensamento

Parece haver qualquer coisa de indecente em todo pensamento que se torna público.

Se tenho nisso impressão forte, fico a imaginar se é inteligente expor assim qualquer pensamento.

A exposição garante a qualquer um a oportunidade do notório, do conhecido.

Se tens uma grande idéia, por que correr o risco de compartilhá-la com uns e outros que não sejam como ela?

Fica que pensar, e nada mais que isso, já é o bastante para sentir-se suficiente.

E este é um pensamento que vazou, e por isso vulgar.

:: . 3:30 AM Comentários: ::
:: Domingo, Outubro 14, 2007 ::

Stardust



Gostei de Stardust, O Mistério da Estrela. Baseado num livro de não sei de quem, traz a atmosfera épica de O Senhor dos Anéis, com Michelle Pfeiffer no papel de Lamia, uma bruxa que tenta a todo custo comer o coração da mocinha-princesa-estrela (!) para voltar a ser jovem. Se bem que a juventude não parece ser problema para a atriz, que, aos 49 anos, parece uma mocinha de tão linda e esbelta (Madonna ao lado dela parece uma vó desesperada por pilates e botox).


-- Desculpa, Mad, mas eu nasci assim!

Stardust é um conto de fadas violento, imoral e cínico, mas sem a obrigação cômica de Shrek, que já era. O Cine Gospel não recomenda (por que será, jeová?), mas eu adorei. Poucos filmes me fizeram sair tão "arejado" da sala de projeção, e olha que termina com "felizes para sempre".

***

Estive observando que não tenho mais ciúme de nada que tenha coração.

Perco o meu por causa disso? Alguma bruxa comeu?

:: . 9:31 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Outubro 11, 2007 ::

Enquanto isso, no Msn...

Brunin diz:
Como alguém q ama literatura, e conhece os poetas, pode ser frio frio?

Dorian diz:
porque a análise do belo, a paixão meticulosa pela arte, não precisa necessariamente surgir entre chamas ou ardência.

Dorian diz:
deixar-se penetrar de emoções até um cubo de gelo consegue.




Até derreter-se inteiro...

:: . 1:24 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Outubro 01, 2007 ::

O perfeccionismo muitas vezes atrasa uma concepção. E o atraso é algo que este mundo já não concebe com muita paciência. Atraso é fracasso. Logo, perfeccionismo não leva, necessariamente, ao sucesso.

Existe um triângulo de expectativas para todos os nossos serviços, e dizem ser quase impossível atender satisfatoriamente aos três vértices da pirâmide, tendo-se de optar por, no máximo, dois. São eles, a saber:

- Qualidade;
- Preço;
- Prazo.

O raciocínio é simples, e vou discorrer sobre a combinação que me interessa: Se se quer tudo "para ontem", o preço aumenta com a urgência e a qualidade se compromete com a pressa. No entanto, a sociedade, em seu quinhão artístico, acostumou-se à produção frenética, e está que não se importa a pagar mais por ela, contanto que saia, que desove, que seja gerado algo ao consumo.

Em suma, é isto: queremos algo a consumir. Como já esta geração não experimenta o adestramento do bom-gosto, o consumo por si só é qualitativo, bastando uma opinião confirmativa, uma etiqueta bem pregada, uma marca com boa propaganda.

Por isso mentes medícores tendem a ser produtivas. Indo para a realidade dos "jovens escritores" que povoam o imaginário da ressurreição da literatura brasileira, é como se, não havendo primor pela qualidade, gerassem compulsivos e desesperados obra atrás de obra, textos para todas as revistas e jornais, participações em feiras, mesas-redondas, programas de TV, auditório etc., onde falam, falam, falam sobre tudo, mais até que Caetano sobre coisa alguma.

Abrem o notebook e, numa espécie de action painting, dão cabo a mais um salame literário a ser degustado ao sabor das discussões no Orkut. Essa é a profundidade requerida.

Motivo deste post

Foi algo perto da humilhação -- e não inveja -- que senti ao folhear na livraria o livro de Mayra Dias Gomes, a propósito filha do Dias, a qual, aos 19 anos, lançou pela ed. Record seu primeiro romance, Fugalaça, sobre aquele monte-de-porra-de-adolescente-atormentado-no-mundo-de-sexo-e-drogas. Escreve bem para uma garota de 19 anos. Teve a sorte de unir o regular à grife do sobrenome, o que lhe valeu só pelo berro uma centelha de holofotes e atenção.

Eu, aos 23, saí da livraria diminuído. Para que estudar a língua se eu poderia usá-la como o Word: o básico, sem entender patavina daquele mundo de função. Só "colocar para fora", "escrever como terapia". Para que projeto? Para que pensar com tanto requinte em algum enredo bem concatenado se, para os críticos daqui, Fernanda Young é gênio? Estilo? Não querem estilo. Querem novidade, querem conhecer um mundinho minúsculo (me vê um underground, por favor?) para dormirem na ilusão de que a vida se explica nas beiradas. E Schopenhauer já dizia isso lá atrás...

A lei é: "Vomita que já é alguma coisa".

Sinto-me um fracasso pois a idade do prodígio já está passando e sei que, em breve, serei alguém que demorou demais para acontecer.

Mas não antes de liberar a fera!

:: . 3:33 PM Comentários: ::
:: Domingo, Setembro 16, 2007 ::



Não que eu veja solução para o mundo, nem quero eu que haja, mas é inegável que, vez ou outra, por mais resistente que se faça um coração, contrariando a oferta dos deuses diabólicos e de suas musas devassas, nasce, como plantinha solitária no vão dos concretos da Paulista, um sentimento real e genuíno por outro alguém, que se vai estendendo para além dos limites do homem, pousando ali na zona onde o divino parece significar mais, e talvez signifique justamente pela ausência do entendimento.

:: . 2:45 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Setembro 13, 2007 ::

O trecho abaixo saiu espontâneo na madrugada. De repente levantei da cama e precisei escrever. Só o publico porque o quero desmerecer, e porque não confio tanto assim em coisas mágicas que se nos despertam com interrogações:


O que escrever para que todos queiram ler este livro? Talvez se começasse com um grito. Um grito que nada significasse senão um grito. Mas como sem propósito se o deste é ser notado? Enfim, talvez seja um grito propositalmente sem propósito, mas com um propósito bem claro nele: chamar à vida. Um grito que estendo várias páginas, em silêncio mudo e estrangular, porque aprendi desde cedo -- e é essa a história que irei contar retomado o fôlego -- que muitos gritos nunca saem de nós, embora possam ocupar toda a eternidade reverberando dentro.

(Mesmo que a noção da eternidade seja a todos uma mera suspeita, nunca uma experiência.)


R.F.

:: . 6:35 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Setembro 11, 2007 ::

Posso me orgulhar e dizer que VI o suicídio de Britney Spears



:: . 10:09 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Setembro 04, 2007 ::



Insônia

Falamos eu e a insônia ontem na cama. A insônia, menina de circo toda esguia e travessa, quis trepar-me a consciência escalando os fios de cabelo. Puxou-me, puxou-me, puxou-me, até arrancar-me do couro uma confissão de saudade.

Tal foi o susto que me ergui em salto e, prostrado, recolhi os joelhos junto ao peito, enlaçando-os com braços que nunca diriam dois de tão coisa só que se tornaram. Balancei o corpo repetindo o nome, quase não o crendo, e a insônia deu-se em pirueta, girando o quarto todo, feliz por ter-me tirado a verdade.

Foi então que ela cortejou o telefone. Enrolou-se toda no fio da comunicação, prevendo que eu não resistiria, que eu não me aguentaria de vontade. Começou a cantar os números e até ensaiou discá-los. Mas eu continuava louco em mim, um sanatório que não se acredita e por isso surta. Surto. Surto. Surto.

A janela entreaberta ventou o aroma noturno, e o som dos gatos na calha predizia o encontro dos felinos que cochicham o destino negro sobre nossas cabeças. A Lua parecia engolir a Noite de tão grande. A saudade arrebentava, e junto dela as lembranças, a memória do carro, do presente, o soneto que parecia tão sincero de amor quanto o foi no momento, as mãos dadas em aperto, o gesto miúdo, eu dividindo o colchão estreito, sentindo a respiração, o calor do outro corpo, que quase não era outro de tão continuação do meu que sentia. Que palavras teríamos dito para nos prender para sempre?

Nisso um gato deslizou do telhado e parece ter havido uma confusão no concílio. Logo se dispersaram em miados, irritados e maldizentes, enquanto a menina do circo se engasgava com o fio enrolado no pescoço. O mistério da Noite revoltou-se e parecia agora engolir a Lua, que ia enovoada e sem brilho. A saudade já não era a saudade senão de tê-la. E a insônia deu seu último suspiro. Aliviado como o escuro. Aliviado como tudo aquilo que nada pensa.

:: . 11:07 AM Comentários: ::
:: Domingo, Setembro 02, 2007 ::

Há certas forças que me prendem em casa. Vou-me arrastando pelos quartos, pela sala, parecendo procurar por braços que me acolham, ou por algum ensinamento rabiscado na parede, vestígio de humanidade anterior à minha, e mais sabida porque acabada. Não encontro nada, e vivo assim me arrastando, temendo ceder à noite e acabar parando em algum bar, algum boteco de esperanças jogadas à mesa, entre risos torpes e piadas sem espírito, cujas forças parecem prender mais pelo esvaziamento mental.

Quero, de fato, outra alma como a minha (e é esta busca que me não prende a nada), uma em que penetre deslumbrando-me pelo que tem de igual, estacionando, após destruir a chancela das resistências, no coração lotado de coisas que não outros corações, e então, descendo o vidro, exigir vaga ampla e eterna, que trata senão da eternidade do final do mundo, porque, se é que Deus é justo, e se é que existe algures, haverá de decretar um final para isto, sem a encenação de um apocalipse, que é invenção de um homem pequeno que nunca acreditou mesmo no seu fim.

O fim é um apagar de luzes, sem cornetas ou vozes aflitas, apenas um acabar-se de repente sem emoção alguma.

:: . 4:25 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Agosto 28, 2007 ::

Um beijo

O casal ia escondido, ela quase tropeçando nele, ele tentando buscar o melhor lugar para os dois ("a eterna aptidão dos machos", pensaria ele, se pudesse pensar em termos bonitos e raciocínio histórico). Mas eis que encontram uma árvore, grande e em copa, já marcada de antigos amores, que parecia, segundo ela mesma chegou a suspeitar calada e poética, "nascida para esconder os namorados".

Ele trouxe-a encostada ao tronco e quis fazer pose de galã, apoiando um dos braços na madeira, por sobre o ombro dela. Ele galã, ela bandida, porque o fichário ainda lhe ia apertado ao peito, como a lembrá-la da ousadia confusa de ter saído mais cedo da aula para uma noite de beijos. Ela gostava da sensação de ultraje. Podia bem naquele instante já dispensar o galã desajeitado, que se ia afundando nela sem muita gentileza, e ficar sozinha e a coragem e nenhum beijo, apenas a idéia de se haver lutado por um.

O rapaz, percebendo a dificuldade de atravessá-la, ensaiou um elogio, mas não viu nada nela que merecesse um. Mentiria, pois. Falou da beleza de seus olhos, que é a mentira de todos os séculos, mas esqueceu o nome "pupila" e ficou só no vago olhar, sem detalhes de natureza penduricalha, que ao amor é ouro fino. Ele sabia que não podia muito, e que ela, mesmo sendo pouco, já era o bastante que o sufocava. Era a primeira dele, aliás. Eleita assim porque era mais velha, e porque era vadia, e também porque, mesmo sendo mais velha e vadia, se deixava levar, como apoiasse os primeiros amantes no aprendizado da dominação sentimental.

Entretanto, ela, vendo-o se afastar fracassado, puxou-o de volta pelo cinto, libidinosa e traiçoeira, arrancando-lhe um beijo sem muita língua. Ele não gostou porque não podia comparar, e porque fora roubado, mas os sucessos foram contados com entusiasmo no dia seguinte, quando ela era então um beijo mais vadia da escola. Ela, a despeito das opiniões, gostou do beijo, justamente por ser mais um, e por não ter ela a mania da comparação, acreditando intimamente que tudo, sendo mais um, é único, e que de tudo, sendo único, se deve tirar um gosto, um sabor, "até fartar-se inteira", pensava, perdendo quem sabe não só a reputação, como também mais um dia da aula que não ensina nada, absolutamente nada da vida.


:: . 11:32 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Agosto 24, 2007 ::

Manhã

Acordei já meio tarde, com a hora já passada do que devia ser. Mas não me apressei, porque a pressa já não me faz bem. O pão esperava na mesa, a manteiga já ia derretida como o dia lá fora. Na tevê, uma atriz conhecida gesticulava seus problemas superados, bulimia, bipolaridade, sendo observada pela apresentadora que lhe queria tirar a alma no vídeo para depois ensinar o rocambole de espinafre. A manhã brilhava assim como nada parecia muito sério.

Arrastei-me ao espelho e agradeci minha imagem sem inteligência. Apenas imagem de sono acordado que não se pensa ainda. Bom dia, reflexo de nada, do final de todas as coisas. Pensei, e foi o primeiro pensamento no dia, que o melhor seria voltar para a cama e imaginar que este dia, este que me vai tão existente no calendário dos hábitos, na oficialidade dos costumes, imaginar que ele nunca houve haver, que nunca quis ser nada como qualquer coisa que sabe querer sendo.

Mas o dia fez-se lembrado. O cachorro latiu por comida. A mãe esbravejou lá de fora. O telefone tocou sem parar. O dia, dia-a-dia, é refeito sobre o cansaço, acudindo que a rotina é um pouco da vida, senão tudo, e que o sonho pelo sonho é mais nada que o desejo dos desesperados.

:: . 10:29 AM Comentários: ::
:: Domingo, Agosto 19, 2007 ::

Desenrola-se-me um sonho inacabado. Vontade de desistir do que eu quis tanto, não ser funcionário de regras nem horários, viver somente para viver mais uma vez, sem me preocupar com a evolução material que, juro, me parece nada. E quanto assim entro no meu carro, mais do que eu queria até então, penso logo no exagero que é tê-lo, que bastavam duas rodas, e eu me ia de bicicleta, sendo o menino que deixei de ser.

Mas o carro me engole sobre a lua, sacramentando que sou aquilo e quero ser mais. Desenrola-se-me um sonho inacabado, que é negar o mistério de que nasci sabido, que não ouso compartilhar, apenas sugerir ao mundo que espera que me pronuncie. O livro, senão a frase, que sirva de consolo aos abatidos, que ponha marcha aos pés que desistiram caminhar. A cólera parece contaminar a fé. É como se a vida tivesse como razão a morte, e que, dada a constatação, falissem em nós todos os sentimentos de revolta. O mistério torna-se algo adiado, algo encravado no céu, feito estrela cintilante para a qual dedo aponta dizendo que já morreu há tempos.

Por que nasci tão covarde? Por que, se de um lado me atribuíram missão grandiosa, de outro me despiram de qualquer coragem para levá-la adiante e a cabo? Por que me encheram de méritos que me fazem distrair e só me querem prender ao mundo de gratificações e reconhecimentos? Quando vou desistir de tudo e fazer crer a mim que nasci para, e só para, escrever, mesmo que isso represente minha própria loucura, minha própria falência como civil e filho promissor? Quando, enfim, hei de entregar minha própria vida pela vida que sonhei para mim?

:: . 1:51 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Agosto 16, 2007 ::



Gente como a gente

E quando seus ídolos de Malhação começam a envelhecer? Essa daí é da época do Dado, que comeu metade do elenco feminino (e 1/3 do masculino, mas isso é segredo), da fase em que o nome da novelinha ainda fazia sentido e tudo se passava dentro de, RÁ, uma academia. Ainda bem que agora é tudo mais "inteligente" e nossos pródigos vivem por "malhar" os neurônios dentro do Múltipla Escolha, com aquele ator que gosta de comer travesti. Cada geração tem aquilo que merece, ora pois.

Voltando, esse povo sem maquiagem deve ser o capeta. Adoro pegar aquelas revistas estrangeiras (mui amigas) que fazem questão de colocar lado a lado fotos de "divas" em momentos de puro glamour, deslizando sobre o tapete vermelho, e em flagras de quando acabam de sair da lavanderia, todas curvadas carregando filhos e sacolas, com a pele gritando por Photoshop.

Aquilo sim serve de auto-ajuda para qualquer mortal com um mínimo de vaidade. Nada de ler "Como ser feliz buscando a felicidade em você" (existe? não sei, mas devia). Porque sou raça ruim que se alegra com a decadência alheia. E a decadência física é a mais deliciosa, embora a moral seja mais repleta de bons costumes.

:: . 11:36 AM Comentários: ::
:: Sábado, Agosto 11, 2007 ::

"Como não entrei em sua página, não chequei seu blog, não vi as fotos de seu álbum?"

Simplesmente chega o dia em que você lembra que esqueceu alguém.

:: . 6:50 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Agosto 07, 2007 ::



O Livro do Desassossego

Aí está a capa do livro que estou lendo. O interessante é que ele não tem história. Que gente séria não leia isto, mas o livro parece um blog de tão desconexo. Frases soltas, pensamentos vagos, crises repentinas. É como pegar de viagem na rabiola da pena do poeta. (Não que penas tenham rabiola, mas o lirismo permite tudo.)

A palavra mais recorrente no livro é "tédio". Fernando Pessoa parece estar sempre entediado com a realidade, mas longe de querer transformá-la. Ele faz questão de manter-se na esfera do sonho, sonhando de dentro para dentro, na amargura de saber-se nunca externado. Sonho que parece explodi-lo a cada instante.

A cabeça do poeta é como saltasse da página e afirmasse que mais triste que não atingir um sonho é atingi-lo. Ele como quer que desesperar seus leitores. Quando parece haver respostas, ele muda o sonho. Melhor, muda a pessoa. Um poeta que não cabia num só.

O livro nasceu para ser prosa, acabou poesia corrida. Assim, sem enredo, apenas o fio de ser Pessoa, que nunca se terminou, assim como o desassossego da vida.

***

O livro coadunou-se com minha fase atual, que não consegue história grande, tal qual autor de novelas que, não tendo um enredo central forte, inventa por misturar outros tantos pequenos, a fim de ganhar na quantidade, porque tanto se acerta no coração quanto mais se dispara nele. Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos, é caso típico televisivo: o casal de lésbicas, a professora que apanhava de raquete, a mãe que morre baleada no trânsito etc. Mas o que unia tudo isso? Faço a mesma pergunta para mim: o que está unindo tudo o que estou vivendo hoje?

Legião Urbana diria "o amor", mas Renato Russo não agüentou-se acreditar.

:: . 4:07 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Agosto 06, 2007 ::

EdUaRdO >> destination unknown diz:
com 15 anos vc já era um psicopata

Dorian diz:
vou desconsiderar o q vc acaba de dizer...rs

EdUaRdO >> destination unknown diz:
heeheh mas eu sei que existe um coração no fundo dessa alma gelada

Dorian diz:
hum.. bem pequenininho...rs

***

Se eu estiver dando em cima de você, e você estiver lendo este blog, aproveite a sorte e fuja enquanto é tempo. De mim e do blog: tudo feito para prender você.


Psicótico, neurótico, todo errado
Só porque eu quero alguém
Que fique vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração, eternamente colado
No meu coração, eternamente colado




Beijinho canalha. Noite a todos.

:: . 11:37 PM Comentários: ::
:: Domingo, Agosto 05, 2007 ::

Difícil fazer crer que tenho boas intenções. Difícil fazer crer, empunhando um copo de cerveja na mão, enquanto me equilibro na guia da calçada do bar, que sou muito mais que um fraco para a bebida, que sou todas as fortalezas de um sentimento bom, que só é meio torto por falta de quem lhe acredite.

No embalo do amor embalado em mim.

***

-- Estão falando mal de você, Rob...
-- Um notícia boa, enfim.

:: . 9:38 PM Comentários: ::

Frase da Xuxa, de algum lugar do passado (que, meu bem, poderia ser hoje):

"Não sou chata como vegetariana, mas às vezes é complicado beijar uma boca por onde uma vaquinha morta acabou de passar."

:: . 3:31 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Agosto 02, 2007 ::




Não sei que capricho é este que me empurra a surtos cada vez mais incompreensíveis.

Parece-me resquício de consciência digna que não me deixa entregar-me às convenções baratas, aos contatos usurpadores, aos amigos-carrapatos. É como se houvesse em mim revolução urgente, vermelha e amarela, e eu saísse em disparada erguendo em punho um rojão de cores e sons de cavalaria, aos gritos e berros ardentes, pronto a livrar-me do cativeiro em que me trancafiam com mil lanças à espreita, explodindo-me por dentro, escorrendo-me por fora. Vou no pavor conquistando a liberdade, vou assim colecionando os corpos no caminho, empilhando-os um a um, sem desculpas nem perdões, apenas o retumbar fúnebre e funesto de saudades dissipadas, de despedidas doídas para o sempre, de pessoas que não são mais, ou que precisam deixar de ser para eu ir.

Assim me liberto, assim volto a estar só. "Preciso de você", dizem. E eu retruco, na suave melancolia dos eleitos: "Preciso não precisar de você".


***

Resta de alento saber que para cada um existe um jazigo em mim, decorado de grama verde e úmida, e um epitáfio eterno correspondente à lembrança que um dia vai.

:: . 3:16 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Julho 30, 2007 ::



Regina Antonieta

-- Regina, você, que é uma pessoa tão opinativa, o que achou do pan?
-- Tava um delícia, obrigada por perguntar, fofa!
-- Não o pão, Regina, o pan.
-- Ah, o pan... (gargalhando e se jogando no sofá)... então (se recompondo), não sei ainda, não deu tempo pra assistir.
-- Regina, o pan já acabou...
-- Acabou (olhos arregalados do tipo "enfiaram o dedo no meu cu")?
-- Acabou!
-- Dá pra pedir brioches?

***

Agora a minha sutil opinião:

Tirando o fato de que era um evento de nível técnico terrível, com EUA e Canadá enviando seu terceiro time (nem B era), sim, a organização até que tava boa.

Tirando o fato de que os esportistas americanos foram "silenciados" depois do caso "Congo" e, aliás, estimulados a falar bem, e somente o bem, do pan, sim, todo mundo adorou. (No comecinho, quando não havia censura, gostei de ler os blogs dos competidores americanos acerca do Rio; juro que fiquei constrangido e envergonhado com a descrição que faziam da cidade.)

Tirando o fato de que o presidente da Odepa, sei-lá-quem, só faltou dizer que fomos megalomaníacos e ingênuos ao gastar uma fortuna organizando um evento de "terceira linha", pensando que, assim, teríamos passe para futuras olimpíadas, sim, até que a festa tava legal.

Tirando o fato de que até uma das qualidades mais destacáveis do brasileiro, a "felicidade", tenha sido questionada pela imprensa européia, que nos chamou de povo de "patriotismo grosseiro", por conta das vaias inoportunas e deselegantes aos competidores estrangeiros, sim, até que o pessoal se divertiu. (Quanto à imprensa americana... bem, eles talvez tenham esquecido o evento.)

Posso ainda tirar muitos fatos. E, quanto mais tiro, menos tenho a destacar.

***

Para variar, os "intelectuais" promissores das letras deste país evitaram um assunto de tanto apelo (sabe nojo de povinho?) e deixaram o pan passar sem nenhum apontamento mais metido na alma do brazuca, que parece cada vez mais distante do céu celestial onde os autores idealizam seus deuses universais, quase divinos emos. Afinal, não temos escritores, temos egos que escrevem para passar de ano e não deixar a franja arrepiar.

:: . 10:49 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Julho 27, 2007 ::

Amigos e pensamentos assustadores

in memoriam diz:

nada. depois de algo mto forte q a gnt vive, diz eu te amo pro primeiro que aparece, pra se certificar que tem controle de si. e de que superou.

* * *

Não é que é verdade?

:: . 6:26 PM Comentários: ::



Perdendo a compostura. (Não existe qualquer relação imagética com o texto abaixo.)

Há quem duvide de que o tempo conserte as pessoas. É de se presumir que toda gente se pegue, um dia, refletindo sobre o que se é e sobre o que se vai sendo, mas é difícil crer que a partir da reflexão haja necessariamente uma transformação profunda.

Podia aqui discorrer sobre a substância intocável de nós, mas já houve por estes séculos quem falasse mais e melhor. Eu ainda falo pouco e tortamente. Não seria novo dizer que a essência vai metida já na criança que grita ao mundo o primeiro berro, ou no senhor velho que se senta à praça vendo o dia passar como as esperanças que um dia sua vida passou.

São absolutamente iguais, a criança e o velho, um berrando e outro querendo berrar. No fio entre os dois existe o que chamam existência, que é quando se põe à prova a essência que nasceu e vai morrer igual, na esperança de que não.

:: . 10:17 AM Comentários: ::

Perguntas para calar

Preciso de um computador da Nasa para rodar o Second Life?

A loção Johnson's Toque de Luminosidade realmente vem com o Sol?

É importante passar Cuba no quadro de medalhas?

O Photoshop me odeia?

:: . 12:24 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Julho 25, 2007 ::

Fracasso global.

Fracassados vivem por aí fazendo "contatos" que nunca dão em nada.

Fracassados vivem quase entrando na rede Globo.

Fracassados vivem quase sendo chamados para a Malhação.

Fracassados, quando percebem a condição de fracasso, topam o teste do sofá, e é quando, enfim, entram no Projac, para serem assistentes de iluminação do Globo Rural.

- - -

Só divagações antes de me pôr a dormir o sono que me vai sonhando (sim, muito Pessoa).


:: . 12:35 AM Comentários: ::
:: Domingo, Julho 22, 2007 ::

Difícil explicar que é por um livro de Fernando Pessoa que me tenho em casa sábado à noite. Mas a verdade é que a poesia entra de tal forma pelos olhos, e se mete no espírito com tal formosura e delicadeza, que sacrifício maior seria abortar esta sensação para sacolejar os quadris em alguma boate nojenta da cidade.

Existem as companhias, mas quem as diz boas?


:: . 2:39 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Julho 20, 2007 ::

Conversas amenas em dia especial

Dia do amigo? Tá, brigado, mas quem disse q sou amigo teu?


:: . 7:53 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Julho 17, 2007 ::

Clarice está na moda, o que parece contorcê-la no túmulo. Aproveito para compartilhar uma entrevista que ela concedeu à TV Cultura um pouco antes de morrer.

Nunca a tinha visto falar. Ela é estranha, paralisante, e até cômica. Em certos momentos da entrevista, pareceu lembrar a irmã Selma, do Terça Insana, principalmente na parte em que diz, em tom solene: "quando eu me comunico com criança... é fácil, porque sou muito maternal". Pro colo dela eu não ia.




:: . 2:14 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Julho 16, 2007 ::

Chico (tá, eu respondo; não à sua altura porque você é muito baixinho, quase uma propaganda enganosa). Meu salário era (observe o emprego do pretérito imperfeito) bom, bem melhor do que a melhor das suas pretensões de profissional de início, quase eterno, de carreira. Como sempre, estou mais adiantado que você, que é lento e burro, e já passei da fase dos concursos. Aliás, acabo de abrir mão do meu para quase triplicar o meu salário (era essa a grande guinada a que me referi neste blog), trabalhando como editor (veja como a vida ajeita adequadamente seus talentos, por mais que se debatam contra si).

Chico (que poderia ser um Zé qualquer, e quase o é), penso que meu roteiro ao exterior, além de mais extenso que o seu, será patrocinado por conta própria, o que é fator de orgulho para pessoa que nasceu de família pobre e culturalmente medíocre (também sou crítico comigo, pode-se abster do esforço).

Agora volte a atormentar as pessoinhas sem cérebro que parecem garantir-lhe fama segura de louco descompensado. Comigo você não passará do que na verdade é: um cachorro morto.

Arrivederci.

:: . 2:51 PM Comentários: ::
:: Domingo, Julho 15, 2007 ::

Queria tanto responder ao "chico" (vide comentário do post anterior), mas não seria de bom-tom rechaçar pessoa a quem a vida já ocupa extirpar. Você esperava mais dela nessa idade, não é mesmo, "campeão"? Boa sorte nos concursos.

***

Meu novo template está ficando ótimo.

***

Só é possível pensar amor quando já não se está amando. Por isso ando inspirado.



:: . 10:11 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Julho 12, 2007 ::

Com o tempo

Dorian diz:
vai aprender a se importar menos com o q os outros sentem.

Dorian diz:
principalmente quando são sentimentos melhores q os seus.

:: . 2:24 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Julho 11, 2007 ::

Hoje acordei com a notícia da morte. Lembro agora a voz daquela pequena senhora invadindo minha sala a entoar músicas em francês.

Devia ter cantado mais, mas suspeito de que os assuntos daqui, a despeito de sua altura, já eram pequenos demais para ela.

Triste. Realmente triste.

:: . 10:53 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Julho 10, 2007 ::

Opa, alguém falou em queda?

"Você é um mocinho esperto, como conseguiu fazer ela mudar de idéia?"

Encantando.

:: . 1:44 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Junho 26, 2007 ::

Vou voltar com o antigo fôlego neste blog (sim, escrevo blog, e não blogue, sua mala sem alça).

Agora só vou andar com minha digital e flagrar (adoro esse verbo) os instantes mais bobos do meu dia, tentando filosofar sobre eles (ninguém precisa saber que me inspirei em Beleza Americana).

Estive percebendo que minha vida só parece pouco interessante por ausência de registro. E, confesso, por certa preguiça.

Mas agora que tudo está dando uma guinada é melhor não perder um segundo sequer.

Eu quero estar presente quando a vida estiver me acontecendo.

:: . 4:31 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Junho 25, 2007 ::

Parece que o mundo parou esperando eu descer.

Mas vou dar mais algumas voltas.

Saudade não é destino, é porto seguro.


:: . 5:23 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Junho 20, 2007 ::


Foto: Celine Dion querendo imitar sua cópia do Museu da Cera

"A senadora Hillary Clinton, pré-candidata democrata à Casa Branca, teve sua música de campanha escolhida pelos internautas: a balada You and I, de Celine Dion."

Quase ninguém conhecia Celine antes de Titanic. Mas o amor foi passageiro, e em pouco tempo ninguém mais aguentava vê-la se esgüelar por causa de um navio. Um navio! não era o fim do mundo! Hoje, porém, ela se especializou em músicas que dão sono. Todo ano sai seu CD de Natal.

Resumo da ópera (cara dela): tão chata que vai parar no horário eleitoral.


:: . 8:04 PM Comentários: ::


Tom Cruise, 44*, aderiu à moda emo. Tá! Ele jura que está mais jovem por causa do franjão. Concordo. O cara pode: enquanto os caras da idade dele gastam fortunas com xampus antiqueda e implantes capilares, ele deixa a juba crescer e sai causando ao lado da mulher, a também emodificada Katie Holmes.

Agora quero vê-lo fazendo biquinho e cara de triste.

* Qualquer semelhança com Caras será mera semelhança.

:: . 7:43 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Junho 19, 2007 ::

Coisas de aniversário

O aniversário me trouxe tantos pensamentos. A sensação primeira foi de que a mala está ficando muito cheia e que, caso eu quisesse um dia mostrar para um forasteiro as lembranças que recolhi, eu teria de desfazê-la inteira, usando a cama para montá-las em peças separadas, como se na vida nada se cruzasse.

Daí veio outra sensação: estou ficando preguiçoso. É como se Dom Quixote olhasse os moinhos e visse, de fato, moinhos, só para se poupar da luta. Não tenho mais a pretensão de desfazer mala alguma, apenas inflá-la para um dia, quem sabe, vê-la explodir.

"Quem é você?" Talvez para a pergunta respondesse: "Sou um passado que não quero compartilhar com você." Tenho preguiça de desdobrar, de entender por que tal peça não caiu bem ou ficou velha depressa demais, ou por que um sapato apertou antes de o pé crescer.

Por isso agradeci cada parabéns. Agradecimentos de quem não se importa mais com tudo aquilo que escondeu.

***

Estou me relacionando com muitas pessoas ultimamente. Observo como, entre elas, não hesitam dizer um "eu te amo" frenético e insistente, seja ao vivo ou pelo Orkut. Noto, ainda, que o "eu te amo" sai mais para suprir um buraco do tipo "você já não me acrescenta muita coisa, mas sei da sua importância para mim e quero você ao meu lado". Repetem, repetem, repetem até cansar, até fazer que o amor vire absolutamente um "bom-dia".

Relacionamentos que se mantêm ao fogo vivem na inquietação psicológica. Não raro discutem idéias, se apaixonam pelo ponto de vista do outro, ou odeiam o ponto de vista do outro, têm sede da comparação, dos detalhes, querem que o outro fale, querem que o outro escute, desejam viver intensamente o espetáculo. Eterna sensação volátil de espíritos que, por viverem se transformando, aparentemente nunca se sentem completos. Mas penso: o que é isso senão o amor? E são justamente essas pessoas que não repetem insistentemente o "eu te amo" gratuito e vazio.

Por estarem em constante devir, sentem que o "eu te amo", se cristalizado uma vez, pode se dissolver em todas as outras, porque "o melhor da festa é esperar por ela."

Por isso eu não amo ninguém. Nem a mim mesmo, pois sou minha maior fonte de inspiração.

***

Minto. Amo demais uma pessoa justamente para esquecê-la.


:: . 9:17 PM Comentários: ::
:: Domingo, Junho 17, 2007 ::



O tempo passa para todos, né, Brad?

Estou com 23.

***

Mas o coração parece vencido.

:: . 11:28 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Junho 15, 2007 ::

Cúmplice idade

Não, sem compreensão. Sabe que não engulo. Veja, aquele ali... não, o da direita, veja, eu o odeio. É pedir demais que você também o odeie? Não, não, para que explicação, motivos? Quero que você odeie e pronto. Por quê? Porque eu pedi, oras! Sem essa de ser maduro, de dizer que fulaninho não fez nada para você, que os problemas não se misturam. Quero que você olhe e odeie, só. Injusto? E me diga o que é justo nesta vida! Você, afinal, não é meu cúmplice, não é a pessoa que vai ficar quando todos tiverem ido? Então, é só um ódio a mais na sua conta, pode deixar que depois eu pago. Quem você quer que eu odeie também?


:: . 4:17 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Junho 11, 2007 ::

Feliz dia dos namorados

Um dia arrumou namorado. Feio. Esperto, mas ainda feio. O tipo de feio que nem simpatia ameniza. Ela achava lindo. E feio com feia não faz mal a ninguém: o mundo não mata, deixa viver. Eram feios felizes. Todo domingo terminavam pendurados um no outro no sofá de desenho floral da casinha no alto do morro. Ela se despedia dele ao portão, shortinho apertado e barriga escapando a blusa, ele apanhando a bicicleta e indo embora mulatinho, com bigode ralinho e dente quebrado. Era bonita a cena da feiúra se despedindo, com direito a beijinho no rosto e uma confissão ajeitada: "Você é a coisa mais linda da minha vida". Ela gostava de ouvir, apesar do bafinho dele, fazia carinha de afeto e encolhia o pescoço, sem se importar com a espinha que tinha acabado de espremer e por isso escorria. "Você também", respondia ela, apertando o franzino contra suas tetas grandes, enquanto dava nele vontade de mamar, de mamar, primeiro só ele depois um filho, outro, mais um, vários rebentinhos que tivesse com ela, todos feios como os pais, mas limpinhos como eles.

R. Falcheti

:: . 10:56 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Junho 08, 2007 ::

Um missionário vinha pela selva, quando um leão se aproximou, faminto.

"Ó Pai, infundi sentimentos cristãos a esta fera!", orou o missionário.

O leão persignou-se, olhou para o céu e disse: "Senhor, eu vos agradeço pelo alimento que me ofereceis".

E devorou o missionário.

:: . 3:37 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Junho 06, 2007 ::

Não quero ser poeta e falar vagamente sobre o nada.

Quero a esperteza do raciocínio, o encanto da operação. Quero o bisturi cortando as veias e desvelando as razões por detrás das razões por detrás das razões. O homem não deve ser contemplado com tanta insistência. Deve, sim, ser dissecado, saboreado em nervos e tripas, por força do estudo da espécie.

Quero os grandes dramas, as grandes cenas. Quero as alianças improváveis, o bem se tornando o mal, o mal se tornando o bem. Quero, por favor, verter-me por um personagem, amá-lo por suas inconseqüências, por sua melancolia agressiva, quero os grandes atos, o som da epopéia, a sensação do enredo original.

Não quero calma, não quero paz, não quero a esterilidade poética.

Quero uma alma que aponte o dedo para mim e seja capaz de soerguer a voz como se nunca houvesse de me perder...

Mesmo me descascando inteiro.


:: . 12:25 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Junho 04, 2007 ::

Não vou nem fico.

Dorian diz:
só queria te mostrar q sou frágil...

Dorian diz:
q meus olhos são vidrados...

Dorian diz:
q eu sou um forte candidato a acabar na loucura...

Fe diz:
acha que eu não sei?

Dorian diz:
meu único desejo é ir espalhando um pouquinho da loucura por aí.

Dorian diz:
eu tenho algo em q as pessoas confiam... em q acabam se apegando...

Dorian diz:
é como sentissem q, ao final do mundo, teriam a certeza de me encontrar em algum porto

Fe diz:
eu sei

Dorian diz:
sentinela da escuridão

Dorian diz:
dando informações

Dorian diz:
sem pressa de ir ou ficar...

Dorian diz:
porque sou assim

Dorian diz:
não vou nem fico.

:: . 10:53 PM Comentários: ::

Momento Brian no Job

- Sua marca é horrível e seu slogan é pior.
- Então o que você sugere?
- Uma marca com menos cores e um slogan com menos adjetivos.
- Você entende mesmo do assunto, hein?!
- Não, é você que não entende nada!

.

Mas tem que falar com sorriso no rosto para não passar a imagem de arrogante. Deus me livre ser um!

:: . 3:23 PM Comentários: ::

Momento Quem é Você na Balada

- Venha cá, te pago uma bebida!
- Mas a festa é open bar...
- Jura?

.

E ainda quer que jure.

:: . 2:55 PM Comentários: ::

Recém-casada, a cantora Wanessa Camargo resolveu filosofar no seu blog:

"O amor agiganta a menor molécula de qualidade."

A frase é tão ruim, tão sem sentido, que dá vontade de dar um tapa na cara dela. Será que no mundinho da cretina as moléculas de gás carbônico se apaixonam fazendo ligações iônicas?

Conselho: Vá ser prostituta e escreva seu livro (dessa vez antes da Sandy, que continua virgem de tripla penetração).

:: . 2:40 PM Comentários: ::
:: Domingo, Junho 03, 2007 ::

Golpe de mestre (para um mestre da sua idade, claro, fingindo que foi sem querer). De todas as reações esperadas, a menos prevista era o orgulho. E foi orgulho que marcou.

Não sou alma reta para sentir outra coisa.

***



Já contei para você a história de Satine?

:: . 10:00 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Junho 01, 2007 ::

"THÉRÈSE tinha sessenta e dois anos. Era alta e esguia, parecendo um esqueleto, sem um único fio de cabelo na cabeça, nem um único dente na boca, abertura de seu corpo que exalava um cheiro capaz de derrubar. Tinha o cu crivado de feridas e as nádegas tão prodigiosamente flácidas que se podia enrolar a pele em torno de um bastão; pela largura e pelo odor, o buraco deste cu parecia a boca de um vulcão, uma verdadeira cloaca; em toda sua vida, dizia ela, nunca o limpara (...). Quanto à sua vagina, era o receptáculo de todas as imundices e de todos os horrores, um verdadeiro sepulcro cuja fetidez provocava desmaios. Tinha um braço torto e mancava de uma perna."

Texto do marquês de Sade. Porque também há beleza nos destroços.

.

Beleza nos destroços. Ah, como me comovo com pessoas que se deixaram destruir...

:: . 8:59 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Maio 31, 2007 ::

Decreto universal.

Caneta boa melhora a letra.


E tenho escrito.

:: . 10:48 PM Comentários: ::

Ontem, no jornal, li um tema que anda incomodando na mente, como quisesse fecundar. Quando é assim, o Universo conspira a favor e traz até nós pequenas células zigotas, como a nos alfabetizar e dizer "este é mesmo o caminho", acendendo suaves tochas que iluminam a geração de uma filosofia.

"[...] Não é fácil definir o que faz que uma vida tenha essa qualidade estética ou poética que lhe dá, por assim dizer, a grandeza de um romance. Não é a felicidade nem o sucesso, nem o caráter extraordinário dos eventos; uma vida pode ser uma série de fracassos, mancadas e tristezas, pode também ser trivial e, no entanto, valer a pena ser contada.

Talvez a qualidade poética de uma vida que desperta o aplauso esteja na sensação de que seu protagonista foi animado por uma obstinada fidelidade ao desejo: seja qual for a distribuição das cartas pelo acaso ou pelo destino, ele jogou bem porque jogou sem medo de jogar.

Na hora de nos despedir de alguém que nos é querido, choramos nossa perda, e é normal que seja assim. Mas deveríamos festejar, quando der, a 'beleza' de sua vida. E chorar, quando for o caso, as vidas que se perdem não pela morte, mas pela morte-sem-vida - as vidas, em suma, dos que não conseguiram ser atores de suas próprias vidas."

...

Quero ser ator mais uma vez ao pôr-do-sol, pequeno.

:: . 1:15 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Maio 30, 2007 ::

Talvez por fazer o caminho mais comprido, acabei imaginando que você não estaria lá, frio e escuro, e eu fui-me enfiando em mim mesmo, crente de que no mundo, ou ao menos nesta cidade, não se contariam dois, mas um só louco.

Mas você está lá, no topo, erguido e esguio, e meu lado sozinho ficou de ciúme, como tivesse perdido o pôr-do-sol só para você.

Nunca o silêncio disse tanto.

:: . 9:45 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Maio 28, 2007 ::

Todo mundo sofre muito igual, aquele lenga-lenga bobo, desabafo aqui, terapia ali, gente que gosta de perder tempo e colecionar clichês. Sair para arrasar? Mostrar que está muito feliz sozinho? Repetir incansavelmente que depois da desgraça é uma pessoa muito melhor e evoluída? Ou, pior, dizer que é indiferente a tudo que passou?

Os grandes problemas existenciais, os de real valor, são resolvidos com o travesseiro, guardião secreto e íntimo das verdades que nunca sairão de nós. Isto é, qualquer comunicado público é um buraco no espírito. Superar algo ou alguém é apenas um capricho egoísta, ornado de discursos bestas e decretos de perdão. Se soubessem o quanto é especial preservar um ódio discreto sobre determinadas coisas, sem amargura ou desejo de vingança, apenas um não-querer-negar ao coração o direito de bater contrário ao que um dia lhe fez sofrer. "Ah, mas tudo faz parte do aprendizado da vida." Ninguém precisa contrair um tumor para melhorar como pessoa; ou você deseja ter um câncer para dar valor à vida?

O resto é a mediocridade se reunindo para beber e disfarçar a vergonha de ser apenas mediana num espetáculo de emoções muito mais grandiosas. Sorte que alguns ainda sabem vivê-las, de maneira, digamos, encantadora e inquietante.

"Um homem com rancor ameno e gentil fala aos corações de maneira mais clara e direta, porque não disfarça o gosto amargo da dor com o tempero artificial da compreensão eterna."


:: . 12:50 AM Comentários: ::
:: Sábado, Maio 26, 2007 ::



- Ai, Rob, você está malhando?
- Não, estou trepando com pesinhos.


:: . 5:01 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Maio 25, 2007 ::

"Enlouquece-me a idéia de que as coisas mais momentosas possam realizar-se, de que os homens pudessem todos ser felizes um dia, de que se encontrasse uma solução para os males da sociedade.

Contudo, não sou mau nem cruel; sou louco e isso dum modo difícil de conceber."

Fernando Pessoa

***

Reencontrei-me comigo mesmo justamente porque passei a noite lendo sobre um que foi muitos. Sou reflexo de pessoas, e não sou uma específica. Sou todas conjugadas. Vivem em mim com suas emoções próprias, suas luzes próprias, bondade, maldade, vontade, vertigem, sou a noite acordando sem saber em que lua estará.

Sou ninguém que sendo ninguém acaba sendo alguém. Sou o que não quer ser, e por querer já é.

Sou mais complexo que sua vã filosofia de boteco e paz universal.

:: . 11:59 PM Comentários: ::

A cidade amanheceu congelada. Enquanto as pessoas ameaçavam os primeiros sinais vitais, eu me admirava com a beleza do lago glacial que se formou no campus da USP esta madrugada, exalando sua névoa branca e envolvente. Aproveitei para recordar o acontecido de ontem, no LeCafé, quando eu e Rica contávamos anedotas sobre moradores desta cidade decrépita.

O sabor de um boato não se compara aos prazeres ulteriores. Perdoem-me os moralistas, mas contar boato é fundamental, um alongamento do espírito. Ainda mais quando o espírito é agudo e sabe rir-se de si mesmo, rir-se de quem ficou, de quem partiu, de quem juntou, de quem quebrou. O propósito de um boato é sempre a eternidade. Mesmo que esta dure uma xícara de café.

***

É fácil reconhecer um escritor falido. Primeiro, ele apenas escreve contos. Ah, e ele sempre está terminando um conto. Aliás, ele sempre informa o nome do conto que ele está terminando. Na verdade, trata-se de um indivíduo que escreve ligeiramente bem, mas que está longe de qualquer teoria literária. Por isso vive escrevendo contos que ninguém nunca lê. "Orgulho", "Vaidade", escolhe sempre um substantivo bem extenso e apoteótico para designar sua obra limitada e medíocre.

Existe um tipo de escritor ainda pior. Aquele que está "quase publicando". Você o indaga sobre sua produção, e ele responde que ela está quase saindo, "em breve". Mais criativo que o outro, mas não menos indisciplinado. Na verdade, ele já foi o primeiro tipo, só que envelheceu demais. Funciona em blogue, mas seria um desastre em livro. Dele, você só lê "trechos". Não vai publicar nunca, a não ser que pague. Ou escreva.

***

Vou pegar alguns filmes antigos para ver se não penso no final de semana.

:: . 9:43 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Maio 24, 2007 ::

- E quem você é para ter tanta certeza, moleque?
- Não me chama de moleque, sou mais adulto que você.
- Mais adulto? Não se entregar é ser mais adulto?
- É! Hoje em dia, é.
- Moleque!
- O que você queria, nem te conheço direito.
- E nem quis conhecer.
- Como você pode dizer isso?
- Não percebe o quanto é egoísta?
- Não.
- Percebe-se.
- Percebe-se uma ova.
- Sabe o que é pior para mim? Saber que, apesar de tudo, você é uma pessoa boa.
- Está sendo irônico?
- Não, só estou dizendo que é mais fácil superar quando o outro é um filho-da-puta. Assim, como eu.
- Você fala demais, mas não é um filho-da-puta.
- Minha mãe agradece.
- Começou com a graça, por isso a gente não tinha nada a ver.
- Não me venha novamente com o seu nada a ver, acabo sentindo vergonha por você.
- Por mim?
- Sim, por você.
- E por quê?
- Olha para mim...
- Estou olhando, porra!
- Acha que uma pessoa como eu desistiria por um motivo besta?
- Você mesmo disse ter desistido antes.
- Antes nunca gostei tanto quanto agora.
- Pois bem, eu não gostei mais de você agora do que antes.
- Ufa, uma sinceridade!
- Você me obrigou.
- Este é o problema, é preciso obrigá-lo a dizer a verdade.
- Você está mudando minhas palavras.
- É um dom, sabia que eu sempre fui bom com elas?
- Nunca achei grande coisa.
- E não te culpo, sabia?
- Como assim?
- Diga a um grande músico que sua música não tem valor que ele logo saberá que teu ouvido está entupido.
- Acho seus textos chatos, não tenho paciência, não consigo entender, é muita poesia, é muita enrolação. A vida é prática, é fato.
- Por isso deixei você ir, sabia?
- Mas nem fala mais comigo.
- É só para não me envergonhar por você.
- E continua com esse papo...
- Saber que eu me juntei com alguém que se juntou só para ver até onde tudo ia dar.
- É um erro?
- É uma molecagem.
- Ah, você já me encheu.
- Só uma coisa antes de ir.
- Diga.
- Um dia você vai olhar para trás e sentir falta da poesia.
- Olha bem para mim. Acha que um dia vou precisar dela?
.
.
.

- Acho!


:: . 4:40 PM Comentários: ::

Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. Agora me lembrei de que houve um tempo em que para me esquentar o espírito eu rezava: o movimento é espírito. A reza era um meio de mudamente e escondido de todos atingir-me a mim mesmo. Quando rezava conseguia um oco de alma - e esse oco é o tudo que posso eu jamais ter. Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu - a meu mistério.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela.

:: . 9:19 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Maio 23, 2007 ::



E você nem legume é, pois até as alcachofras têm coração.

:: . 11:27 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Maio 22, 2007 ::

Por que é errado matar trabalho para escrever se ele caso possível me matava também?

Gosto de respirar, pensar que me emociono.

E o horóscopo todo ano vem com a mania de dizer que estou numa fase de revisão pré-aniversário. Parece até que tenho prova. E nisso acabo me obrigando a atender ao desejo do zodíaco, recapitulando casos bons e maus que aconteceram até hoje.

Na revisão vi que perco tempo demais aconselhando amigo. Talvez eu devesse criar uma listinha com frases prontas e protocolares que me servissem de roteiro na hora de confortar um coração abatido: "Vai dar tudo bem", "Ela não te merece", "Você vai dar a volta por cima". Mas eu sou peçonhento e sempre acabo apelando para o lado negro: "Acredita em vudu?" ou "Ele está olhando para cá, se joga em cima de mim e me dá um beijo, gata". Nunca fui de conselhos baratos.

Também nunca fiz vudu especialmente para ninguém. Costumo pegar as Barbies da minha irmã. Ah, tudo viado mesmo!

Vou aproveitar as férias de julho para viajar. Um lugar frio onde eu possa vestir roupas bonitas. Aproveitar e ler os "novos autores". Espero que os concursos que estão por vir também me reconheçam como um dos tais. Também quero ter o direito de morrer de fome.

Imagina só uma vida de entrevistas para Adriane Galisteu, coquetéis de lançamento e viagens bancadas por universidades sucateadas. Decadence avec elegance.

:: . 5:16 PM Comentários: ::

Vamos ver o que tem pra hoje?

Duas campanhas para criar, um artigo para revisar, uma crítica para escrever e um coração para sufocar.

À noite juro que serei poeta.

:: . 11:19 AM Comentários: ::



União e coragem não parecem valores muito correntes na nossa selva.

Emoções valentes deixaram de nascer.

:: . 8:51 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Maio 21, 2007 ::



Vampiros

Eu, quase no bico do penhasco para completar 23 anos, voltei a usar aparelho nos dentes. Lembra algum filme de terror metalingüístico de Wes Craven em que o assassino, após morrer com dez tiros na cabeça, volta para o último susto. É a adolescência e seu último grito.

Falando em terror, deu saudade de ver filme de vampiro. Comecei com aqueles que passavam na sessão da tarde e que traziam um Jack Bauer ainda menino pagando de chupador. Depois passei para obras mais sofisticadas. John Carpenter e os filmes inspirados nos livros de Anne Rice. Boa época em que Kirsten Dunst não soltava gritinhos histéricos nos braços do Homem-Aranha e Tom Cruise não comprometia a imagem de Lestat com suas neuras científico-religiosas.

Bem, vampiros também envelhecem. Nem sempre muito bem.

***

Momento Reflexão no MSN

Ele: Você não quer mais teclar comigo?
Ele: ...
Ele: Hein?!
Ele: Responde! Não quer mais teclar?

Eu: Pensei que meu silêncio fosse auto-explicativo.

:: . 10:58 AM Comentários: ::
:: Domingo, Maio 20, 2007 ::


Gisele Bündchen fala:

" (...) acho que o sucesso da minha carreira depende dos meus seios e do meu cabelo."

Não, Gi, das suas idéias, das suas idéias...


:: . 10:25 PM Comentários: ::

Virada Cultural

Teve Virada Cultural em Ribeirão e eu quase estendi um colchão no teatro. Podia haver mais eventos do tipo. Neles me dou conta de que existem pessoas diferentes a se conhecer. Pena que ontem ficou só no olhar. E de olhar eu entendo. Sinto pela nuca alguém me observando e agilizo em corresponder. E eu fixo, fixo mesmo, de fazer meu olho encravar até envergonhar a outra parte e eu pensar comigo "ha-ha-ha, venci". Sim, tenho dessas infantilidades.

E ontem me lembrei de uma frase antiga: "Inteligência é afrodisíaco."

:: . 7:43 PM Comentários: ::
:: Sábado, Maio 19, 2007 ::

Podíamos programar os nossos sonhos antes de dormir. Já imagino o menu do microondas. A gente apertava e, clique, sonhava.

Saudade do inferno.

:: . 2:14 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Maio 18, 2007 ::

Estranho, muito estranho, ando romântico demais nos últimos tempos. Parece que eu voltei a confiar em algo impossível.

Extraordinário.

:: . 9:24 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Maio 16, 2007 ::

Talentosos

O que mais me deprime é ver um talento desperdiçado. E eu faço o possível pelos talentos que encontro por aí nesta vida. Nem preciso conhecer muito bem a pessoa, se é boa gente, se é dedicada e tal. Tem talento, então pronto, algo deve ser feito, se é que o talentoso já não o faz. Há algumas dádivas misteriosas neste mundo, e antes conduzi-las à estrela que prendê-las ao calcanhar de um juiz tolo e mundano, que dispara verbos de censura ao abençoado.

Machado de Assis precisou de um empurrãozinho de um escritor famoso em sua época, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um Sargento de Milícias. Me lembra o professor de literatura, depois de manifestar sua paixão pela obra do Bruxo, dizer que, mais gênio que Machado, só aquele que entendeu Machado pela primeira vez. E este foi Manuel, que viu naquele menino mulato e tímido, sem muita prática ainda (o esforço dos médios), o futuro da maior letra já escrita neste chão.

Por isso, posso ser mal, posso ser grosso, posso ser arrogante, mas se é para ajudar um talento a evoluir sou todo ajuda, apoio e conte-comigo. Interesse? Nunca houve, nem há de haver. Se espero gratidão? Ah, se soubessem as vaidades de um talentoso! Não raro esquecem olhar para trás e cumprimentar os degraus debaixo. Mas ingratidão nenhuma aposenta o orgulho íntimo de ver surgir, graças à sua intervenção, um brilho intenso entre os opacos.

Agradeço por poder viver entre pessoas que parecem ter recebido um dom. Agradeço mais ainda por saber reconhecê-los, e por me sentir sentinela deles.

É uma emoção gratuita que me enche de prazer.

:: . 5:24 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Maio 15, 2007 ::

Lendo "Cartas a um jovem poeta", de Ranier Maria Rilke, fico a pensar o que me levou a isto, um vassalo sem soberano.


:: . 9:43 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Maio 11, 2007 ::

Futuro

De repente o futuro abriu portas. Gosto de deitar na cama e ficar encarando o teto, imaginando o que está por vir nos próximos 10, 15 anos. "Estou meio torto, mas ainda estou direito." Não me arrependo de nenhuma luta que travei. Todas foram válidas e pediram coragem, por mais que eu saísse de estúpido de algumas delas. A estupidez muita vez é necessária para evitar que manchem seu amor próprio com a tinta da humilhação e os olhos da miopia.

Daí o teto me encara e surgem nele olhos e boca. O teto não julga os que deitam ao seu destino imóvel e superior. Ele é apenas um companheiro, um confidente de assuntos entre as quatro paredes, suas inimigas de sustentação e obstáculo. O teto é a versão sem estrelas e sem firmamento do céu dos apaixonados.

Entre mim e o Teto

- O que teto tem a dizer?
- Teto não diz muito, telhado diz mais, competindo com as estrelas, que dizem sem parar.
- Mas quero que tu digas, teto, porque és tu que vela meu sono e acorda comigo.
- A vantagem do teto é que este também dorme sobre a tua cabeça, e abaixo da briga eterna de telhados e estrelas.
- Decerto perdeste o teto!
- Ora, direis, ouvir estrelas?
- Então por que acordas quando te encaro? Por que não continuas dormente e isento de mim, se já não tens nada a dizer?
- Ora... porque, quando tu me olhas, arrepio pensar que teu desejo fosse querer-me uma janela aberta.
- E se fosse querer-te assim? Tens medo? Tens ciúme? Ó, teto, que emoções baixas para a tua altura!
- Tu tens muito a aprender, garoto forte que se deita e me encara. Muito, muito a aprender. Pouco do muito, e que te adianto, é aprender que, para o futuro, mais vale um teto que se suporte a mil janelas que não dão a nada.
- ...
- Agora durma, garoto, sob este teto, sob esta telha, sob este céu estrelado.

:: . 12:04 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Maio 10, 2007 ::


Estou pop melódico hoje.

E esta frente fria? Será que quem trouxe foi o papa Vento XVI?

Ah, como sou engraçado!

:: . 1:46 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Maio 08, 2007 ::

Licença Poética

Ultimamente me sinto acolhido. Não há mais segredos na família e é como se eu tivesse engolido o Sol de tanta luz que sai de mim (ah, que metáfora meiga). A liberdade luz e contagia.

Faz bem planejar os estudos e perceber que o lirismo voltou. Pós-graduação é uma certeza para quem sabe dissertar, mas são as aulas de francês o meu novo amor. Estou irritado no meu vigésimo ano de inglês (rs). Língua pobre, gramática pobre, não dá tesão algum. Por isso é a língua mundial, porque o mundo, que é a média do Universo, é medíocre. Já o francês é musical, cadente, riquíssimo. Fazem biquinho porque podem esnobar. Tudo bem que Schopenhauer dizia que o alemão era melhor, mas parece que tal língua arranha a garganta pra tirar ranho. (rs) Ou serão apenas memórias de Hitler?

O importante, contudo, é criar. E por ora farei isso na língua de Portugal que o Brasil colonizou. A professora de inglês disse que eu gosto do português porque é um idioma difícil. E quem disse que gosto de coisinha fácil? Tem gente que desce aqui querendo paz e aposentadoria. Tem gente que morre como vem, só que mais velho e estúpido. Eu quero transformar alguma coisa!

Bem, o último que disse isso virou cabeleireiro.

Não é de espantar que tudo já tenha sido dito. No entanto, nem todas as mágicas foram usadas para dizê-lo, e eis o grande frescor da criação. O belo é buscável e atingível de muitíssimas maneiras, até dentro de camisas-de-força como o inglês, daí o lirismo de sua literatura. Almas elevadas nascem em todas as partes do mundo, e não é a falta de língua que as mantém de boca fechada.

Talvez a curto prazo você só precise de boas companhias ao seu lado, tomando cerveja e falando vagamente da vida. Sim, desse modo as estações passarão agradavelmente por você, levando suas folhas ora verdes, ora secas.

Só cuidado para elas não te levarem também.

...

Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.

Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.

Fernando Pessoa

:: . 10:20 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Maio 07, 2007 ::

O Vendedor

Hoje andei pelo centro da cidade. Fiz o que tinha de fazer e quando vi tinha um tempo sobrando. Então resolvi aproveitar mais a manhã entrando nas Lojas Americanas para comprar chocolate.

Lá, bem próximo à entrada, no canto esquerdo, um vendedor fazia a demonstração do funcionamento de um aparelho de som para um casal abraçadinho, desses que aproveitam as iniciais do amor. Ele, o vendedor, franzino e de aparência meio roceira, usando a camiseta pólo vermelha, uniforme da loja, alisava constantemente o aparelho, como quisesse dar carinho à coisa posto invejasse os amantes, apertava seus botões, falava, falava, falava, não parecia parar de falar, enquanto o casal se apertava ainda mais um no outro, calculando o custo da felicidade e da música eterna.

Eu estava a algumas gôndolas de distância, entre uns cabides de roupa. Fiquei parado, observando. Tive ligeira vontade de me aproximar e perguntar como ele estava, se se lembrava de mim. Mas algumas lembranças morrem no acanhamento da infância. Fiquei assim, de longe, relembrando, recompondo algumas cenas, com ternura que nem os meus mais chegados entendem como nasce de mim.

Éramos meninotes na escola. Ele tinha fama de mentiroso e era chato, muito chato. Posto que naquela época eu era um chato e meio, acabamos amigos. Todos os trabalhos fazíamos juntos. Fizemos juntos a fantasia de carnaval para participar do concurso da escola (ele ficou engraçado enfiando a magreza na fantasia de presidiário). Crismamos juntos (quanto eu discuti com o bispo depois de ele ter chamado a minha atenção por eu ter limpado a testa por causa do "óleo santo" que ele passou em mim; sofria de espinhas, não podia correr o risco). Assim ficamos amigos; ele contando das inúmeras meninas que ele beijava (eu sabia que não havia nenhuma), enquanto eu só queria ser o melhor aluno do mundo, disciplinado e chato.

Por um instante eu o observei. Imaginei em que ponto nossos caminhos se bifurcaram. Se foi no último dia de aula ou na formatura que ele não compareceu por falta de grana. Era um grande amigo que não é mais. Chato e mentiroso, mas andou comigo um bom trecho, durante o qual cada um descobriu no outro seus maiores fantasmas.

Não era saudade, por isso fiquei de longe, mirando fixamente, apaixonadamente, como em gesto de gratidão imperiosa, sentindo em mim, tensa e particularmente, a emoção das dores que jamais se cumpriram.

Ele não vendeu o aparelho de som. E nem o casal era tão apaixonado.

:: . 3:28 PM Comentários: ::
:: Domingo, Maio 06, 2007 ::

Momento SAI DAQUIIIII na balada

- E ae, qual seu MSN?

- 7.5 e o seu?

- ?

:: . 1:26 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Maio 04, 2007 ::



O Olhar do Leopardo

Gosto de ver aqueles documentários do NatGeo. Um lindo é "O olhar do Leopardo", que acompanha, em Mombo, África, a vida de uma fêmea de leopardo desde seu nascimento, passando pelo afeto e cuidado da mãe até o estremecimento da relação das duas, quando enfim se separam para ocupar solitárias seu pedaço do reino selvagem africano.

E eu fiquei matutando na TV. A natureza vive competindo, mas existe uma lei natural coerente e mágica. No caso dos leopardos, a filha desapontou a mãe, porque aquela não se mostrava esperta na caça, tornando-se uma péssima companhia e comprometendo a segurança de ambas. Por isso, a mãe teve de ir se afastando, para que a filha fosse menos dependente e mais corajosa. Enfim, que aprendesse a sobreviver.

Nesse processo, acompanhamos o sofrimento da filha ao ser rejeitada pela mãe. Legadema, então, passa a andar sozinha pelas savanas, a fugir sozinha, a caçar sozinha. No auge do documentário, vemos a filha de leopardo num gesto admirável do reino animal: na copa de uma grande árvore, sustentada por um enorme galho que se estende feito um braço aberto à noite, ela cuida de um filhote de babuíno (ao mesmo tempo, sua melhor presa e seu maior predador) logo após matar e devorar a mãe dele.

É umas das cenas mais espetaculares e misteriosas já vistas:



Quando vejo algo assim, penso comigo que a vida tem lá sua esperança. Há um instinto maior do que tudo isso que a gente conhece, ou pensa que conhece.

Sobreviver é a lei. A ternura é opcional.

:: . 4:38 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Maio 02, 2007 ::



Gigio, se eu soubesse tocar violão, aposto que só tocaria esse tipo de música, sem pretensão maior, só para ficar distribuindo sorrisinhos bregas para quem me ouvisse.

Ai ai, muito fofa essa canção.

Ai ai...

:: . 9:50 PM Comentários: ::

Viagem em cima da hora e não programada. Tem jeito melhor de passar o feriado?

Enfim experimentei o drink de Carrie Bradshaw, o Cosmopolitan. It's fabulous!

Sol, precisava dele. Moreno sou mais feliz.

É bom saber que até nos escrotos o amor dura um pouco mais que um fósforo.

Aposente os torpedos secretos, vai dar tudo certo, só depende de você.

*Geminiano e o poder da atração universal.

:: . 12:00 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Abril 30, 2007 ::



Às vezes a gente escuta o que não quer.

Aliás, escrevi um texto gigante mas o apaguei antes de mandar. Meus dedos falam demais.

E eu tenho que botar na cabeça que eu não vou encontrar facilmente uma Celine para conversar!

:: . 7:15 PM Comentários: ::
:: Domingo, Abril 29, 2007 ::

Gente Morta no Orkut

Quando se tem história, é bom escrever. Esbocei um conto muito bom sobre uma pessoa morta no Orkut, cujo profile virou meca de peregrinação de muitos internautas, os quais falam de saudades e desejam boa vida "do lado de lá" em pleno scrapbook da falecida. Aliás, existem até mesmo comunidades que reúnem profiles de gente morta, para facilitar a comoção dos curiosos mórbidos, que se aglomeram para perguntar se "foi acidente" ou "algum doença séria".

Nesse contexto, criei a Cher, "menina que queria ser emo, mas tinha o cabelo muito grosso e crespo mesmo para a chapinha". Fanática por conhecer gente morta no Orkut, um dia é ela quem morre. Chegando ao céu, pede a um anjo esnobe e de cabelos lisos que a permita acessar mais uma vez seu profile, de modo a acompanhar as emoções de quem a perdeu. Concedida a permissão, ela retorna assumindo identidade fake e passa a conhecer de verdade as pessoas que em vida lhe diziam amor. Daí é comigo e meu estilo levemente (ou pesadamente?) irônico.

***

Sinto que, a cada dia, progrido mais na narração. Antes meu pecado era não ter história, embora escrevesse bem. Agora abri minha mente para temas atuais e parece que estou me achando. Também estou abandonando a "escrita impenetrável" e fazendo algo mais pop, ao estilo de Nick Hornby, autor do belíssimo Um grande garoto. Mas ainda sinto que não cheguei "no ponto".

A graça da internet é poder compartilhar estilos. Sou postador das antigas, quando o blog ainda era uma grande novidade, e nesse tempo reuní amizade com muitos escritores e projetos de. Alguns ainda se conectam pelo ICQ e me chamam pelo apelido. Trocamos textos de vez em quando, opinamos, sugerimos. Pensando bem, somos praticamente uma sociedade secreta, de tão longa e obscura. É fantástico o crescimento humano que esse tipo de contato nos proporciona. E não raro aparece algum autor novinho, indo nos seus 16, 17 anos, querendo me mostrar um escrito seu, porque soube da minha fama e da minha paciência. A palavra sempre perdura, e olha que eu nunca publiquei.

***

Ontem, um pensamento cruel dentro do carro: "Viu, não é feio não, mas tem uma cara de pobre. Será que é o cabelo?"

E olha que eu lembro daquela coisa na balada, ambicionando a minha companhia. É, urubu existe!




:: . 2:20 PM Comentários: ::
:: Sábado, Abril 28, 2007 ::



Por que será que dizem que eu e ele agimos do mesmo jeito?

Preocupaaaado!


:: . 1:49 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Abril 26, 2007 ::

Abismo

Depois de uma maratona revisando um material de sociologia em tempo recorde (pronuncia-se a tônica no cor, como em acorde), posso relaxar um pouco.

Estava pensando: o meu trabalho é o estudo de muita gente. Claro que, depois de tantas teorias sociológicas e tentativas de se explicar este abismo social existente no Brasil, a luta de classes etc., é sempre desgastante voltar para a realidade e pensar que você faz parte do sistema, é um alienado e tem culpa, sim, por grande parte da desigualdade horrenda que existe entre ricos e pobres.

É cruel saber como o sistema, mesmo sabendo que a sociedade não comportaria o sonho de igualdade e sucesso irrestrito e indiscriminado, coloca na mente de cada um, por meio da publicidade, principalmente, a idéia de que somos capazes, de somos o que escolhemos ser, de que somos o que compramos, de que tudo depende de nós. Mas a verdade é: faça o que fizer, seu destaque individual depende da diminuição do outro, pois não existe reinado sem plebe, estrela sem manto negro.

Sim, sou alienado. Gosto de roupa de marca e vendi meu rim para comprar meu carro. Curto seriados americanos, em geral ambientados entre burgueses da classe média que vivem suas dificuldades familiares e estripulias sentimentais, carregando aquele sarcasmo quase sempre preconceituoso direcionado às minorias. Neste século, ser inteligente é isto: fingir que não se importa com os problemas sociais e fazer piadas sobre eles, de modo a abafar os suplícios de quem sofre com risadas que fingem despertar a "consciência" nas pessoas.

Consciência? Só se ela viver no umbigo.

Todo mundo com seus problemas pequenos, sofrendo suas dores pequenas, lutando para ser, a cada dia, mais pequeno. Eis o mundo, que só cresce em quantidade de cabeças pequenas.

E corações pequenos.


:: . 10:14 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Abril 24, 2007 ::

Dizer que estou rindo à toa seria demais. Mas que estou achando graça... ah, isso estou sim!

Só para dizer que, aconteça o que acontecer, não preciso de muleta ao meu lado. Respeito o tempo meu, que um dia foi tempo nosso, sem mancar nas horas ou tropeçar nos juízos. Coração é peça rara, e o meu não passa de mão em mão.

Como diria Adélia Prado, "erótica é a alma".


:: . 11:56 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Abril 23, 2007 ::

Estou lendo um livro bastante oportuno. De profundis, de Oscar Wilde. É um desabafo de um escritor que acabou na prisão por conta de uma "amizade íntima" que o deixou seco. Impressionante como algumas pessoas têm essa capacidade de secar outras. Pena que isso só fica claro quando se está seco.

E olha que não creio que tenha a ver com caráter. Há muito caráter bom que seca. É mais natureza que disposição. Como também é verdade que nem todos sabem amar. Dizem que cada um tem seu jeito, mas o que acontece é que alguns jeitos não se juntam ao amor. Passam longe, revoando sobre as copas altas. Tem-se, apenas, um aroma agridoce que a princípio desperta alegria, mas que logo bate asas e vai embora, talvez para se juntar ao bando ou procurar comida mais farta e fresca.

A dor, para quem sabe sofrer, é bela e inspiradora. Estou contente por mim. Não se deve ir atrás dos pássaros que vão. Convém fazer ninhos melhores para atrair os pássaros cuja alma se deixa prender aos galhos. Shakespeare disse algo assim, usando jardins e borboletas. Não importa o poeta, dá-se sempre a mesma flor da vitória.

Mas uma coisa é certa: tenho excelentes amigos e cumpre a mim não ser displicente com eles. O mesmo com a família, de quem me afastei para satisfazer vaidades de urubu. E é pequeno o que se precisa fazer para agradar pessoas que gostam de verdade de você. Passar uma tarde com a avó, deixando ela contar sobre a meninice de seus netos, que são seus filhos mais próximos e ardentes. Dar ao avô quase surdo um livrinho de palavras-cruzadas. Falar algo bom do pai, fingindo não saber que ele está por perto, só para enchê-lo de alegria branca. Dar um abraço na mãe num momento inesperado, como quando ela está atrapalhada por quase nada na cozinha, fazendo ela perceber que os tomates esperam e nós não. Azucrinar bastante os irmãos, porque de todas as maneiras se faz saudade com o sangue.

A vida é a nossa grande árvore. As raízes dela explicam por que não vamos embora mesmo com as trevas em volta.

O tempo se encarrega de trazer a luz, e os galhos verdinhos voltam a sacudir-se para anunciar tempos novos e pássaros melhores.

:: . 10:49 AM Comentários: ::





All I Ask Of You

O importante é a vida continuar linda aqui dentro.

Desculpe aos fantasmas, mas errar ainda é humano.




:: . 8:47 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Abril 20, 2007 ::

Após a cópula, a viúva-negra mata o macho que a fecundou e o ingere.

***

Doeu fazer o que fiz ontem. Mas não esqueço que a pior coisa do mundo é trair sua própria natureza.

:: . 10:54 AM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Abril 19, 2007 ::

Da série "Como destruir uma mãe antes que ele cresça"

Mãe: Veja só, meu bebê não é a coisa mais linda deste mundo?

Eu: É, parece uma criança saudável...

:: . 4:04 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Abril 18, 2007 ::

NA CAMA

Quando estamos frágeis, somos levados a acreditar que anjos foram postos no nosso caminho para nos salvar. À merda com esses anjos!

A fragilidade é tanta que a gente se joga no braço de qualquer coisa que aparece, ainda mais se esta coisa for meiga e carinhosa, o que sempre acontece no princípio. "Precisou acontecer tudo de mau comigo para eu conhecer você". Outra merda maior, amanhã é "o você" me passando rasteira.

Foi quando virei do outro lado da cama, escutando a outra respiração. Impressionante como a sensação é diferente quando você está do lado despreocupado, rejeitando conchinha, e o outro faz de tudo, ou quase tudo, por você. Falei de ir embora. Me puxou e sem querer caí da cama, e começamos a rir. "Daqui a pouco vou direto pro trabalho". "E daí?"

Acendeu a luz. Disse para eu desenhar na parede, que a estava para pintar mas que, antes, queria rabiscá-la. Pegou um giz de cera verde na gaveta e passou para mim, que dizia que não sabia desenhar. Desenhei dois vales unidos por uma ponte. Perguntou se era o Pão de Açúcar, ri dizendo que era Terabítia, e se atravessasse a ponte a tristeza ia embora. Gostou de ouvir a história. Tanto que ficou quieto um bom momento, construindo a ponte na cabeça.

"Vai voltar?" "Não sei, quer?"."Se não voltar, vou ficar aqui". Gostei de ouvir, e parecia ficar mesmo, pessoa virada para dentro, cheia de mistérios amigos do peito. "Eu também queria ficar um pouco trancado". Nisso, mostrou um monte de DVDs que poderíamos ver, metade eu já tinha visto. De onde veio aquele sorriso? Sorriso não-gasto, que falou "não" para o mundo até o "sim" para mim. Quantos apaixonados estariam à porta esperando que eu saísse e tendo ódio por este que entrou? "Vamos fugir da luz até ganharmos cor."

Saí levando na mão a sua esperança. Pediu por favor que cuidasse dela, que tivesse cuidado no caminho para não amassá-la ou quebrá-la de vez. Sabia do que falava, mas fingi não me importar. Coloquei-a no banco traseiro, amarrei-a ao cinto e segui. Ela, a esperança, parecia assustada ali atrás, eu correndo e ultrapassando perigosamente. Acalmou-se quando parei o carro em casa. Aliviada, descendo do banco alto, disse que acidentes aconteciam, e acontecem mesmo, mas que o inspirador era saber que algumas pessoas neste mundo, por mais que se quebrem, ainda desejam sobreviver juntas.

Eu a entendi, e prometi nunca mais correr.

Ouvindo: Confidence, Teddy Geiger.


:: . 9:21 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Abril 17, 2007 ::



"Seu olho está mais azul hoje?"

Não escutei isso de uma ou de duas pessoas Quatro disseram a mesma coisa, e pararam em mim para olhar mais profundo. Que azul era este hoje?

Andei acreditando que houvesse de fato uma cor nova, suave, tristeza diluída em águas claras e quietas. Assim me sinto, quieto e justo, amando sem vontade, deixando a barba crescer, mais poeta, mais lírica, mais pedaço esquecido do céu. Vezes cantando o que cantava Satine em Moulin Rouge, depois que o amor a tocou, dedilhando a nota maior entre as jóias do pescoço.

O que este azul quis tanto dizer hoje e o disse para tanta gente, mas não disse para mim?

...
:: . 9:15 PM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Abril 16, 2007 ::



Sobre ironias e admirações

Estava agora há pouco conversando com um amigo sobre a "ironia da vida". Não que esta seja uma velhota amarga que tem por prazer despejar acidez por sobre a gente. Penso que a vida seja moça, moça não, fada, dessas atrapalhadas que vezes confundem as magias e juntam gente que não era pra juntar. Daí a ironia.

Rimos sobre a confusão que nos aproximou, sobre como nós não gostávamos um do outro, sobre como é irreal imaginar que agora somos amigos confidentes, como é engraçado para os outros.

Daí ele falou que não tínhamos nada a ver. Pensei e concordei. A diferença é que tanto eu quanto ele queríamos que "tivesse a ver", posto um admirasse o outro. Admirando, fui aprendendo; com ele o mesmo; e um passou a influenciar o outro na maneira de agir e sentir, assim delicadamente, como mudam as estações.

Hoje não queria viver sem ele. E eis que o tempo mostra que o "a ver" é mais disposição nossa do que confusão de uma fada atrapalhada, embora seja ela que comece tudo.


:: . 11:59 AM Comentários: ::

APRESENTADORA DE TV CAI DO 8º ANDAR EM SP



A ex-modelo e apresentadora de TV Dóris Giesse, 46 anos, caiu, por volta das 10h30 deste domingo, do oitavo andar do prédio onde mora, no bairro Perdizes, zona oeste de São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da apresentadora, ela tentava pegar o gato dos filhos, que havia saído pela janela, quando escorregou. Ela caiu em cima de telhas de amianto.

Dóris, que tem formação como bailarina clássica pela Royal Academy of Dance de Londres, apresentou os programas Fantástico e Doris Para Maiores - que deu origem ao Casseta & Planeta, Urgente! - na Rede Globo. Depois disso, trabalhou no SBT e na Rede Record, mas estava afastada da TV há alguns anos.

***

UMA SEMANA ANTES...

Dóris: Eu não sou um luxo? Estou afastada há séculos da TV e ainda tenho assessoria de imprensa.

Assessoria de imprensa: Dóris, você realmente é um luxo, mas precisamos pensar em algo para trazê-la de volta à mídia, agora como uma mulher mais madura e mãe de família.

Dóris: Ai, cambada de incompetentes, será que sempre eu, loiríssima, preciso pensar em tudo?

Assessoria de imprensa: ...

Dóris: Me arrumem já um gato! Também quero telhas de amianto. Rápido, rápido, suas placentas! Minha queda será divina...


:: . 10:25 AM Comentários: ::
:: Domingo, Abril 15, 2007 ::

Zeenti, tá tudo rodando aqui. Festa ótema com amigos de verdade. Bebi meeeesmo. Agora eu entendo a Heleninha Roitman! E ainda chorei na igreja. Zeenti, o padre cantava, só faltou a Whoppi Goldberg nos vocais fazendo aquelas dancinhas de freira indecente...kkkkkk ai ai, e aquele discurso bíblico de amor entre duas pessoas com Cristo no centro. Só pensei bobagi, mas abafa. Foi tudo lindo, me emocionei horrores. E quero casar, claro, naquela igreja e com aquele padre cantando Elton John!

Quinta-feira pego o meu carro novim. Silas, minha família fez de tudo pra eu pegar o vermelho, mas eu achei muito menstruado. Escolhi preto. Sou clássico, né, benhê???? Vai combinar com seus óculos de acetato!

E eu, todo zoooado neste domingão uó. Não consigo mais concentração pra ler. Vou malhar, que qualquer ameba consegue. Eis meu lema: Tô fodido mas tô gostoso.


:: . 11:25 AM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Abril 13, 2007 ::

Ponta de um ser

Estava conversando com a recepcionista do consultório de meu dentista quando ela fez uma piada e eu ri. Ri de um jeito que me lembrou alguém, uma risada que, se não era minha, era de outro, poeira de risada dele.

Tenho por mania, tal Ezequiel, filho de Capitu, copiar qualquer trejeito alheio, não por esporte ou pelo prazer da imitação. A arte sai natural, simples, elevada à categoria de homenagem que um espírito faz a outro, sintoma de quem se deixou invadir, encantado com a visita e cego de suas manias.

Tomo, assim, como ali, na frente da recepcionista alegre que se esforçava por me deixar à vontade, a ponta de um ser, um outro ser que não eu, sem, contudo, me descaracterizar, me desfigurar, ou fazer caricatura para desmerecê-lo.

É assim que lembro as pessoas que viraram poeira, sem soprá-las ao vento.

:: . 7:25 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Abril 11, 2007 ::



Remar sozinho

A gente sempre aprende algo importante com alguém, por pior que este seja. A minha última relação me ensinou que pomada é ótimo para o cabelo e não o resseca como o gel. Mais alguma coisa? Hum... deixe-me pensar. Não!

Estava ontem mirabolando uma tese. Pensei na canoagem em equipe. Se a canoa é remada só de um lado, ela continua indo, mas o braço cansa e logo um indivíduo surta e levanta, pedindo que haja mais empenho da galera. "Porra, de um lado só não dá!" Enquanto isso o povo do fundo tá de papo pro ar, um e outro arrumando o cabelo, tirando a sobrancelha, distraindo-se com os peixinhos do lago. "Ahn, o que aquele louco tá falando, véi?" Daí, porque remava, vira louco, e o resto continua no resto, achando que a vida sempre tem alguém pra remar por elas, ou junto delas fazendo festinhas.

Acho que sou um desses loucos. Remo demais pros outros, e o outros esquecem o lado deles ou o porquê de eu estar remando. Daqui a pouco canso, compro meu bote e remo sozinho. Ou pulo de vez na água, com pedrinhas no bolso, e morro feito Virginia Wolf (luxo!!).

Quero nada muito sério não. Posso até perder campeonato. Só quero alguém pra re(a)mar.

:: . 11:06 AM Comentários: ::
:: Domingo, Abril 08, 2007 ::

SAMS diz:
Não devemos desejar o mal para os nossos próximos.

Robson diz:
Realmente. Convém fazer logo de uma vez.

***

Cultura faz diferença sim. O resto é fogo no rabo.

:: . 4:38 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Abril 05, 2007 ::

Sem sinapse

Escrever, mais que terapia, é memória que não se lava. Quanta coisa disse aqui para logo mais contradizer! Quanto de mim escorreu por eu ter errado a bucha ou escolhido um sabonete esfoliante demais!

Bem... tempo ao tempo, e as células se renovam. Multiplicai-vos em vossa pele! Dizem que as únicas que não se reproduzem são justo os neurônios. Quanto se perde deles com uma desilusão? Com a morte de uma pessoa querida? Com a traição de um amigo? Os neurônios falecem e deixam-nos esquecer. Esquecer que um dia aquela dor importava muito; que aquela pessoa era um amor com você e você não sabia viver sem ela; que aquele amigo era o seu melhor, um pedaço seu, unha e carne e coração.

A gente supera. Supera e vai levando, tropeçando, trupicando, acreditando que a gente aprendeu a sofrer menos, quando, na verdade, a gente se esqueceu de sofrer mais. Culpa dos neurônios! A gente sofre e depois passa e depois esquece e depois está pronto para outra.

A vida é assim, boy, você perde os neurônios. E eles, como todo o resto, nunca dizem adeus.

:: . 11:45 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Abril 02, 2007 ::

Várias histórias de vida alguma

Roberto sabia contar histórias. Orgulhava-se também por saber vivê-las. As pessoas o viviam cercando para saber mais de suas viagens, de seus afetos, de seus amores. Assim eram as manhãs, quando saía do elevador com um copo de café na mão, rumo à mesa de trabalho. Todos queriam um pouquinho dele, que contasse algo dele, que os envolvesse com o mundo dele. Essas coisas que a gente toda quer para comparar, mal-dizer, tomar de inveja e, ao final, jogar fora porque não combinou com o resto da mobília, embora fosse razão para substituir a casa inteira.

Todos queriam um pouquinho dele. A beleza, aquele sorriso fácil e largo que desbancava a crítica mais dura (mostrava 12 dentes no sorriso), a graça, o cheiro de bebezão perfumado, a disposição que parecia dar a volta ao mundo só para rever os amigos e cantar junto deles a canção do Universo. Tudo nele brilhava, desde as idéias até os sapatos. O coração era gigante e capaz de incluir todos os amores desta vida, e de todas as outras que esta vida tem, e o encanto era imaginar que pouco se esforçava para isso. Era natural como a água da bica, como a flor do jardim.

Um dia ele morreu. Acidente. E os outros, não conhecendo gente igual, puderam dormir sossegados.

:: . 3:25 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Março 30, 2007 ::

Ele entupiu-se de doce. Comeu até não sentir prazer algum. Voltou à geladeira, meteu a cabeça mais dentro e brincou sentir o frio. Esqueceu, por um instante, que procurava algo. Lembrou-se. Correu os olhos sem querer achar e fechou a porta no seu gelo.

Os pés descalços o levaram à janela, onde viu a rua passando debaixo. Gostou do jeito monótono do dia e das coisas. Passou a mão nos cabelos. Talvez um novo corte. Daquele garoto ali de bicicleta. Ficaria bem. Pedalaria como ele? Acreditava que sim, porque sim é o provérbio do nunca-se-esquece, e ele adorava provérbios, principalmente os que nunca provou.

Desistiu do cabelo, mas deixou-o na cabeça, como todas as outras tristezas. Jogou-se no sofá e esperou que o teto lhe caísse, mas não caiu. Viu que nele havia rachaduras e prometeu consertá-las um dia. Um dia. Qualquer dia desses que nunca são. Pensando melhor, talvez assim caísse. A idéia do teto não o lembrou de que morava em apartamento, e que o teto seu era o chão do outro, e que assim cairiam todos os pés na sua cabeça.

Passou a mão mais uma vez nos cabelos. Talvez rachassem. Talvez mudassem de cor.

Já era alguma coisa.


:: . 8:38 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Março 29, 2007 ::
Saudade da época em que se amava de lancheira, com olhares por cima do livro e palavras que não saíam da boca. Hoje meu amar finge profissionalismo e maturidade. Vamos conversar. Vamos nos entender. Sejamos tolerantes um com o outro.

Nem todo mundo se apaixona bem. Confesso que sou um desastre apaixonado. Não quero paz, não quero entendimento.

Quero dor, quero amar desenfreado, quero o não-vivo-sem-você.

:: . 11:55 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Março 19, 2007 ::



O cowboy de Brokeback Mountain durante o curso de interpretação "O Pescoço é o Centro", promovido pela digníssima atriz, mãe, dona de casa e, sobretudo, ser humana Regina Duarte.

:: . 3:48 PM Comentários: ::
:: Sábado, Março 10, 2007 ::

Enquanto isso, no MSN

Gambiarra de Planetas diz:
o que acha de receber de aniversário a virgindade de alguém que você ama?

Robson diz:
... hum...

Robson diz:
Pediria para trocar por um livro.


:: . 2:08 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Março 08, 2007 ::

Rugol, o embelezador da rugas

Vira e mexe o Creme Rugol nos presenteia com pérolas da propaganda. Quem não se lembra da senhora gorda, filmada em gravação caseira, passando no rosto, de frente ao espelho, algo parecido com óleo de presunto?

E parece que a empresa - também fabricante do nutritivo e verduroso Creme de Alface - mantém como publicitário o mesmo idiota que inventou os nomes de seus produtos. Mais um lance de genialidade foi a "homenagem" do Rugol ao dia internacional das rachas.





Anúncio de aproximadamente 1/4 de página em caderno especial da Folha de S.Paulo, ao lado de discussões e reportagens sobre a conquista dos direitos das mulheres, os avanços no mercado de trabalho, as lutas por salários compatíveis aos dos homens, os preconceitos ainda presentes, o papel do feminismo neste século etc. Aquilo que todo ano tem para que as empresas possam encher o jornal com anúncios de mulheres sorridentes, bem-sucedidas e sexualmente ativas e devassas.

E o Rugol, na contramão disso tudo, buscando inspiração na época em que a Lux vendia sabonetes usando adjetivos como "formosura" para donas de casa que no mais flertavam com o padeiro da esquina, vem com o título "Hoje, a mulher merece ficar mais tempo na frente do espelho".

Imagino se as marcas de fogão resolvem fazer algo parecido.


:: . 2:36 PM Comentários: ::
:: Terça-feira, Março 06, 2007 ::



Salva-vidas transformam posto em local de festas em Santa Catarina


Virou até notícia no Jornal Nacional. Por volta das seis horas da tarde, os homenzinhos de sunga vermelha e perninhas grossas botam tudo pra quebrar na beach party da Mole, onde música eletrônica e alta vibe rolam soltas. Sobra até pro posto, que funciona como mesa DJ e open bar.

Testemunho porque fui e vi com estes olhinhos que a terra há de preservar pela rara beleza.

Ah, e claro que "imagens amadoras" da festa não podiam faltar. Imagino aquele velho com a pança gigante e oleosa, coberta de pêlos cinzas encaracolados, chegando na Mole porque "alguém comentou", estendendo na areia fofa seu toalhão de estampa de tigre da savana, olhando pro lado e ficando indignado ao ver tanta gente bonita junta, surfistas saradões saindo da água, todos se divertindo, se esfregando, aquela coisa de rave. Daí o velho, que de tão recalcado nem teve coragem de ir até o final da praia para curtir o quiosque gay mais popular de Floripa, resolve sacar de sua mochila barata, a mesma ganha na última festa de final de ano de sua empresa, uma filmadora, igualmente vagabunda, para foder com o barato da galera.

Então ele faz a denúncia, ri da cara da juventude "perdida" e vai-se embora, levando seu toalhão de tigre enrolado no que antigamente era chamado de cintura, sendo que, lá no fundinho, bem no fundinho, ele só queria mesmo era saber dançar.


:: . 11:40 PM Comentários: ::
:: Sábado, Março 03, 2007 ::

A gênese das personagens de uma história é matéria não sabida dos homens. Sabe-se, somente, que o mestre é disposto a sussurrar-lhes o comportamento, o tom, as maneiras, as palavras. O que acontece é que a maioria toma rédea da vida e segue linha própria, deixando o autor com binóculo em mão, do alto da tribuna, a observar o espetáculo que corre incontrolável. Temperamentos nascem assim: de alguém para o mundo.

:: . 2:21 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007 ::



O que mais precisa o coração senão o sol, o céu e o mar?


:: . 11:17 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007 ::




Obra-prima

Somos pintura diferente para cada nova pessoa que conhecemos. Toda novidade traz consigo a vontade de pegar do pincel e, fazendo-o deslizar pela aquarela, descobrir novos tons, novas vidas, novas combinações. Vez ou outra carregamos nas cores.

Não acontece por acaso. É o velho desejo de se destacar mais, de ficar mais quente à impressão alheia. Expostos assim, vibramos nos outros as paixões mais ardentes e os desejos mais primeiros. Vermelho forte, vermelho sangue. É como se a cor gritasse e, saída do quadro, agarrasse o visitante pela gola a fim de bebê-lo inteiro.

No entanto, não é de surpresa que digo que o homem é obra inacabada, arte incompleta, e, tal qual a renascentista, antes contemplá-la de longe que encará-la de perto com seus ódios e imperfeições. Desenrolam-se, assim, as cores frias, os tons pastel, nada que enfastie demais a visão, posto que os olhos são eternos a quem ama, e o amor é ameno.

Na disputa com a natureza ao fundo, pode ocorrer de a pintura perder-se e misturar-se à paisagem; todavia, os olhos amantes sabem também distinguir as pequenas artes humanas da do grande Criador, e agem corretamente quando esta é maior que aquelas, o que é natural acontecer. Aliás, quando não acontece, caso raro e único, pois exceções são desta vida, ocorre ao mundo emendar "gênio" à alcunha do pintor, e "prima" à sua obra, cobrindo sua arte de todos os adjetivos finos e santos já inventados aqui.

O mundo é grande exposição por onde circulam artistas e compradores, que andam vagarosamente, trocam idéias em voz baixa, emitem opiniões diversas, se aproximam e se afastam, ora sozinhas, ora acompanhadas, até vender ou comprar quem sabe a mesmíssima tela da mesmíssima parede. Tais são as juras deste mundo!

Outras pessoas, porém, nem artistas nem compradoras, descem as escadas encarando a luz de fora com acanho e rapidez. Não gostaram de nada que viram, e esperam nova revolução artística que talvez nunca venha. "Ver" e "vir", a despeito da semelhança de nomes, não são verbos irmãos, e muitos morrem no desejo de ver o que nunca há de chegar. Estes, como disse, descem visitantes e desamparados, levando na mão, bem junto e apertado ao peito, o mesmo catálogo entregue às mulheres de Bentinho que nunca foram Capitu.


:: . 3:22 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007 ::

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e, sobretudo, porque você é uma menina com uma flor.


Vinicius de Moraes

:: . 5:11 PM Comentários: ::

Aos 26 anos, Cláudia Leitte, vocalista do Babado Novo, diz que ainda é virgem


Só se for no buraco da orelha.


:: . 8:30 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007 ::


O que me lembra é que ele vivia agarrado à cruz, cochichando a si e aos espíritos rodeantes uma oração secreta, não conhecida da língua dos homens, e talvez menos da dos santos. "Mas todas as línguas chegam ao céu", diria alma mais atenta à tradição externa às igrejas. Decerto, porquanto os ateus também tenham lá sua vaga no Paraíso, se é que não roubam nem matam. Todas as línguas chegam. Mais próximas, porém, estão as afiadas, pois trazem nelas a qualidade de cortar mais facilmente o véu da eternidade.


(...)

Fui até ele e roubei-lhe o Deus. Veio com todos os acessórios, superpoderes dentro do saco acoplado na cintura, como o são o de todos os velhos magos, sendo este o Eterno. As magias eram senão poeira cósmica, e ao simples alvitre ter-se-ia nova galáxia criada em tal ou qual ponto distante do espaço, que não digo sideral por rigor da modéstia. Sim, pois Deus também tem consigo meia dúzia de modéstias, como a de negar o Universo em sete dias. Confessa oito, mas sem o descanso e as cachoeiras. Depois, rindo-se, deixa de desculpa que não se havia calendário à época, e que os dias e as noites não o eram como agora. Eram, mas o Tal tem gosto pelo obscuro, e antes contradizer que confirmar a gênese, que tinha por seu melhor espetáculo.

Nem só de modéstia vive a vaidade.


:: . 10:22 PM Comentários: ::

Vocalista cai de trio elétrico e morre no Pará (Globo on-line)

Imagino ela toda lokona se atirando na multidão, enquanto os foliões, mui amigos, se afastam para ela cair.

Para uma cantora de axé, eis morrer com dignidade. Que os deuses do carnaval a recebam bem!


:: . 6:53 PM Comentários: ::
:: Sábado, Fevereiro 17, 2007 ::

Trecho do meu novo conto:

O homem devia prestar mais atenção à arte da negociação, que fala tanto às línguas santas quanto às malditas. Se é inevitável que venda a alma ao diabo, que o faça com grande luta e boa dose de pudor. Digamos que o demônio paga mais pela puta que não beija. Ademais, não ajuste de imediato o preço, posto que o prazo, invenção do inferno, recalcula todas as dívidas terrenas, tornando-as eternas. Então, uma vez vendida a alma, que saiba cobrá-la em numerosas parcelas, porque tanto melhor ter ao pé um diabo devedor que um querubim à cobrança do castigo.


:: . 3:58 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007 ::



Fera

Se o mundo é feito de verdades eternas, uma delas é que se pode pagar a língua mantendo todos os dentes à boca. Anteontem fui ao cinema conferir o sexto filme da franquia Rocky Balboa, o qual critiquei aqui neste blog, e posso dizer, seguramente, que foi um dos filmes mais tocantes e inspiradores que eu já vi.

Em conta o envolvimento prévio que eu já tinha com a personagem, ícone de uma geração que eu peguei pelo calcanhar, posto que já ia saindo de cena, fiquei tocado com a velhice do ex-ex-ex-campeão (como dito na película). O tema Gonna fly now, quase um hino de luta e perseverança, empolga (e muito!), e não raro temos a impressão, em parte provocada pela nostalgia, que músicas assim, bem como a personagem Rocky, não mais nascem neste mundo (por favor, Van Diesel não tem carisma nem para comercial de anabolizantes).

A palavra-chave do filme, porém, é inspiração. Não houve um que não saísse da projeção sem ponta de orgulho nos lábios e um sopro no coração. O jeito simplório do protagonista contribui, pois é tocante ver alguém como ele, sincero no gesto e pouco nos sentimentos, movido por algo maior, por "uma fera enjaulada no corpo". Aliás, no reino animal, que é a fábula deste do homem, tanto melhor ter uma fera presa no corpo que não ter fera alguma. Homens sem fera não merecem respeito, tampouco admiração.

Soltá-las é o assunto da vida.


:: . 9:51 AM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007 ::




Notícia de carnaval: Mangueira entra e goza na Apoteose


Este ano a Mangueira entra (novíssima!) cantando a língua portuguesa. Ainda não escutei o samba, mas a letra me parece boa, apesar de não te ido muito com o trecho "Salve... Poetas e compositores / Salve também os escritores". Como assim "também"? Ficou parecendo "até vocês, viu, bando de miseráveis!"

Implicância à parte, o problema mesmo será acompanhar pela avenida uma penca de analfabetos e peitinhos homenageando nosso idioma. E é claro que irão socar a flor do Lácio, repleta de brilho e lantejoulas, bem na vagina da passista.

A seguir, o samba-enredo:


Quem sou eu

Tenho a mais bela maneira de expressar

Sou Mangueira... uma poesia singular

Fui ao Lácio e nos meus versos canto a última flor

Que espalhou por vários continentes

Um manancial de amor

Caravelas ao mar partiram

Por destino encontraram Brasil...

Nos trazendo a maior riqueza

A nossa língua portuguesa

Se misturou com o tupi, tupinambrasileirou

Mais tarde o canto do negro ecoou

E assim a língua se modificou


Eu vou dos versos de Camões

As folhas secas caídas de Mangueira

É chama eterna, dom da criação

Que fala ao pulsar do coração


Cantando eu vou

Do Oiapoque ao Chuí ouvir

A minha pátria é minha língua

Idolatrada obra-prima te faço imortal

Salve... Poetas e compositores

Salve também os escritores

Que enriqueceram a tua história

Ó meu Brasil

Dos filhos deste solo és mãe gentil

Hoje a herança portuguesa já reluz

Na Estação da Luz


Vem no vira da Mangueira vem sambar

Meu idioma tem o dom de transformar

Faz do Palácio do Samba uma casa portuguesa

É uma casa portuguesa com certeza



:: . 9:44 AM Comentários: ::
:: Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007 ::

Horror no Rio.

E segue-se todo o receituário pós-tragédia. Cidadãos revoltados, jornalistas ansiosos pelas maiores sensações. Nisso, ouve-se a mãe indignada exigindo leis mais enérgicas para menores infratores. Ouvem-se juristas dizendo que a problemática possui raízes socioeconômicas mais profundas. Ouvem-se políticos discursando em plenário sobre a redução da maioridade penal. Ouvem-se sociólogos teorizando a necessidade de "repensar" a estrutura familiar.

Em meio a essa avalanche de verborragia, salva-se quem tira a conclusão mais irônica refletida em nossos dias: criança no banco de trás não deve usar cinto de segurança, porque menos pior perdê-la em acidente que arrastada por estar presa a ele.

A vida é mais paradoxo que soluções.


:: . 11:33 PM Comentários: ::

Olha quem está passando as férias em Sampa...



Aliás, os ancestrais de Daniella Cicarelli foram encontrados na Itália.
Não falei que tinham sangue latino?


:: . 5:19 PM Comentários: ::
:: Sábado, Fevereiro 10, 2007 ::

Amor sublime amor


Arqueólogos descobriram na Itália os esqueletos de um casal que foi enterrado abraçado. Os pesquisadores acreditam que os dois morreram entre 5 mil e 6 mil anos atrás. Um laboratório tentará determinar a idade do casal quando morreu.


Eu posso apostar que eram latinos.


:: . 5:03 PM Comentários: ::
:: Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007 ::

Opiniões sobre o aquecimento global.


Não tem pele que agüente, poxa!
Maria do Socorro, revendedora Avon

Talvez os povos se unam pela paz mundial.
Esperança, miss Guzolândia

Foda-se que o nível do mar vai subir. Moro longe da praia.
Felizberto, desalmado

Aquecimento global? Sim, sim, o clima está fervendo na rede Globo...
Leão Lobo, fofoqueiro

A moda não pode viver sem os desfiles outono/inverno, understood, honey people?
Erika Palopinto, fashionist, personal style, fashion consultant, top model, english teacher, ignorant person etc.

É bom para o consumidor. Com o derretimento das calotas, todos poderão adotar seu filhote de urso polar desabrigado e realizar o sonho de um "Natal Mágico Coca-Cola" da maneira como mostram na tevê.
Nizanta Guanaes, publicitário


:: . 8:36 PM Comentários: ::
:: Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007 ::

Mastigando Cavalos.

Fora rodinhas próprias ao tema, pouco se fala da nova safra de escritores nacionais. Gosto? Gosto! Muito? Não! Gosto da novidade, embora hoje em dia toda revolução soe repetência, como bastardo de família que se mete no fundo da sala para azucrinar a professora com livrinhos do tipo "como ser um anarquista usando o giz". Nunca fui do fundão. Também digo que nunca fui dos da frente, por temer-lhes aquele ranço de pessoa quadrada que vive por suspirar métodos e profissão.

Se não do fundo nem da frente, suporia você, leitor atento e mudo, que era do meio, ou de algum dos dois cantos que restam. Longe de estar errado (e mantenho-lhe o atento). Era um dos que balançavam as alegrias e os ódios dos extremos, ora esfriando as quenturas do revolucionário, ora avivando as molezas da aplicação. Podia, com isso, passear entre ambos, naturalmente, como quem corta o cabelo logo após o xampu, a fim de adquirir a experiência de todos os fios.



Voltando aos escritores, revolucionário é Santiago Nazarian, criador da fábula underground "Mastigando humanos". Festejado, recebeu boas críticas pela coragem e inovação. Texto poluído de referências aleatórias, como se obrigasse a citar citando, ele é envolvente na medida em que nos importa a experiência nova do autor, o que Schopenhauer vem chamar de "escritor de novidade", cujo estilo importa menos que o tema, típico "escritor que escreve por escrever", que "pensa para exercer sua atividade de escritor". Não sou mais de cair de encantos por frases como "Todos os prazeres são orais!" saídas da boca de um sapo intelectual. Gosto? Gosto! Leio? Leio! Mas depois o livro termina entre os velhos gibis do Bidu, e ainda sou capaz de parabenizar o autor com alguma frase obscura de "A Revolução dos Bichos".



Aplicado é Daniel Galera, autor de "Mãos de Cavalo", livro considerado por um ou outro o melhor do ano passado. Romance convencional de formação, a narrativa corre suave, e, embora a história não salte das cordas para piruetas espetaculares, sentimo-nos atraídos pela mão que rege o triciclo, a mesma que parece intimamente saber mais do que nós pela lembrança de guardar verdades eternas entre os dedos. Galera é o tipo de escritor que cuida do mundo enquanto somos leitores. É estilo. É mudar de dentro para fora.

Balzac, em "Ilusões Perdidas", opõe o escritor fiel a sua literatura àquele que cede seu talento à luz da celebridade e fama fugidias. São dois extremos bastante compreensíveis.

E eu ainda me vejo passeando entre eles para decidir-me, de uma vez, qual dará a flor mais bonita (para ficar na metáfora mais simples do Universo).


:: . 8:33 PM Comentários: ::

Momento Sex and The City


Ex.: Quem você pensa que é, o Sr. Perfeição? Tenho pena de você, muita pena!

Eu: Por que você não junta todas e faz uma fantasia?



:: . 2:57 PM Comentários: ::
:: Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007 ::

Ela já precisa das duas mãos para segurar a taça.

Sessenta, Regina?

Regina Duarte chega aos 60 anos mais escrota que nunca. Não bastasse seu modelito capa de botijão de gás vermelho-menstruação, ela ainda bota no cabelo uma flor branca murcha, decerto roubada do vaso de cemitério de Ronaldo Esper, seu estilista particular para datas festivas e de festas.

Como é pessoa deveras humilde, Reginona quis comemorar seu aniversário de maneira discreta, com um jantarzinho íntimo, convidando apenas alguns fotógrafos que pudessem flagrá-la em seu momento de "sou a pessoa mais espontânea do país", quando então ela ativa a função de queixo duplo e abre aquele sorriso forçado que vem acompanhado de seu torcicolo e sua inconfundível cara de "enfiaram o dedo na minha vagina".



Como ela é fofa de tudo, recebeu também (não sem antes arreganhar-se toda com a "surpresa") a equipe do Pânico na TV, com quem brindou seus ânus. Não entendendo muito bem as piadas, acabou deixando escapar uma ou outra gíria idosa em meio a muitas gargalhadas. Mas o que importa é "estar aberta" a todo e qualquer tipo de humor que se queira jovem e atual, não é mesmo, minha gente?

Ao final da noite, lembrando-se de que um dia pariu neste mundo, resolveu-se por chamar a filhota, Gabrielinha Duarte, para a sobremesa. No que esta chega, fazendo mil perguntas sobre o segredo de juventude da mãe e como ela ainda conquista papéis de destaque na tevê, a eterna namoradinha do Brasil, sentindo-se amolada, solta um sonoro e agressivo "Não fode, Gabriela", ato presenciado pelos demais convidados, entre eles Boni e Jayme Monjardim, que, constrangidos, se retiram às pressas do recinto.


Boni: Já não falei para dar um fim na Gabriela?
Jayme: Ela é uma vaca, não merece a mãe que tem.

Usando uma gíria da fofíssima: Festa do balacobaco, não é mesmo, minha gente?


:: . 10:40 AM Comentários: ::
:: Terça-feira, Fevereiro 06, 2007 ::


Muito lost em Lost.

Enfim estréia na Globo a segunda temporada do seriado Lost, enquanto lá nos States, depois de um hiato de três meses em decorrência do atraso das gravações (ou será que os roteiristas não estavam fazendo direito a lição?), reestréia (!) a terceira temporada da série.

É inegável que o break coincidira com a curva descendente de audiência (estima-se que a série tenha perdido por volta de 5 milhões de telespectadores) e também com uma ligeira sensação de "estão forçando a amizade". Afinal, são tantos segredos, que tiveram de inventar uma segunda ilha, o que acabou dissolvendo a força mitológica da primeira.

Nela, aliás, apareceram do nada, como evidência clara da perda de fôlego, dois namorados sobreviventes do desastre aéreo. Um deles interpretado por Rodrigo Santoro, que não faz nada senão passar o tempo desperdiçando bolinhas de golfe no mar e fazendo o estilo de "já pegamos o que queremos, vamos logo sair daqui", característico das personagens covardes, porém engraçadas (coisa que ele não é), de tramas de horror.

Prova-se pelo comentário da namorada, como justificasse a entrada pára-quedas dos dois no seriado: "Você sempre reclama de ser excluído. É a nossa chance". Chance de participar de mais uma expedição de salvamento comandada por Locke, a personalidade mais intrigante da ilha, o qual, depois da cagada do botão, resolveu exercer um comando mais democrático que o de Jack, chamando os figurantes para brincar de floresta. Por mim tudo bem, conquanto não use aquela peruca ridícula do flashback (que, a propósito, está ganhando ares de encheção).

Enquanto isso, na outra ilha, Sawyer e Kate, mesmo ameaçados, humilhados e obrigados a trabalhar quebrando pedras, sob tortura e xingamento dos Outros, mostraram que têm libido suficiente para um sexo gostoso e selvagem nas horas de lazer e, pelo que tudo indica, não precisarão mais lamber provocativamente, para fins de sedução a distância, as grades da prisão amazônico-surreal onde estão. Lamber-se-ão, para delírio do neo-voyeur Jack, o médico-herói-ético, que devia levar um tiro no cu.

Vamos aguardar.


:: . 7:34 PM Comentários: ::